sábado, dezembro 02, 2006

Filarmônica - a letra da canção

A Bailarina flutua no mar
De água doce, de sentimento,
Se pudesse queria voar
Pra ver o mar, pra ver o céu,
Pra ver o sol brilhar assim...
Filarmônica, vida única, mulher, minha paixão...
Filarmônica, vida híbrida, mulher (sonho e canção)
Eu sei que o amor só quer levar a Minha Bailarina,
Eu tenho pra mim que o sol é ruim; a lua, também!

terça-feira, novembro 14, 2006

Especialização para profissionais do texto

Comunico a todos que a minha empresa, Instituto Universidade Educacional Brasileira, abrirá inscrições para o primeiro curso de especialização no País sobre Consultoria de Textos. Ele atende todos os profissionais que lidam diretamente com a palavra, o texto. Em especial, as áreas de Comunicação, Letras e Direito.
Provavelmente em dezembro, o edital será publicado. Na ocasião, divulgo-o também neste espaço. Para maiores informações, entrem em contato pelo meu emeio (professorcleiton@yahoo.com.br). É isso. Há braços.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Curso de revisor

Caros amigos: estou com a terceira turma do curso de revisor em Brasília. Em breve, abrirei uma turma em Goiânia. Para quem se interessar, entre em contato por emeio (professorcleiton@yahoo.com.br). Não percam esta chance de desenvolver habilidade específica sobre o ato de escrever bem. Há braços.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Mais uma lucidez de José Maria e Silva: leiam o que escreveu sobre o sanguinário governo Lula


LULA

Eleito pelos grotões da USP Mesmo tendo superado Fernando Collor em toda sorte de desmandos, pondo em risco o próprio Estado de Direito, o petista não conquistou a reeleição por ter enchido a barriga das massas — mas porque a universidade brasileira esvaziou a cabeça das elites
JOSÉ MARIA E SILVA
Em 2002 (segundo diziam os petis-tas), a esperança venceu o medo e Luiz Inácio Lula da Silva se elegeu presidente. Em 2006 (hão de admitir os tucanos), a covardia rendeu-se à desfaçatez e Geraldo Alckmin derrotou a nação. Esquecendo-se que disputava a Presidência da República e não a Prefeitura de Pindamonhangaba, Alckmin não confrontou seu adversário com a face oculta do PT. Deixou de exigir explicações de Lula sobre o Foro de São Paulo (órgão que liga o PT às Farc de Manuel “Tirofijo” Marulanda e Fernandinho Beira-Mar); não lembrou o Triângulo das Bermudas petista (o sumidouro de cadávares de Santo André, entre eles o de Celso Daniel, Vladimir Herzog de Lula); e evitou denunciar o totalitarismo esquerdista que dita até comportamentos (como a descriminalização do assassinato de crianças e a criminalização de simples críticas a travestis). Por que o candidato tucano deixou de fazer essas cobranças cruciais ao candidato petista, as únicas capazes de desnudar o governo mais fraudulento da história “deste país”, que ameaça o próprio Estado de Direito com a reeleição espúria de seu titular? Ou alguém tem dúvida de que Lula — comandante-mor dos petistas aloprados — não passa de um presidente de porta de cadeia, obrigado a transformar o próprio ministro da Justiça em advogado criminalista de delúbios e dirceus? Nunca é demais repetir: por muito menos, — incomparavelmente menos, — Fernando Collor foi defenestrado do Palácio do Planalto. Collor tinha apenas um PC Farias; Lula tem 40, segundo o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. No inquérito civil público em que investigou a compra de parlamentares no Congresso, o procurador chamou o PT de Lula de “organização criminosa”, empenhada em assaltar o Estado para se perpetuar no poder. A se crer no procurador que denunciou os 40 ladrões, o Brasil corre o risco de reeleger Lula e reempossar um Ali Babá.
Bibliotéca Paulo Freyre

Paulo Freyre (1921-1997): doutrinador petista santifica criminosos em livros Não estou caluniando Lula — estou humanizando-o. Lula não é Deus; logo, não está livre de pecado, como ele próprio disse que estava, ao comungar sem confessar, mesmo se afirmando católico. Um dos pilares da própria civilização (e não apenas da Constituição de 88) é o princípio de que toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. Todavia, é impossível se passar da inocência à culpa sem a inevitável suspeição — ou toda investigação policial e todo processo penal seriam arbitrários. Entre a inocência e a culpa, há que haver o indício, caso contrário, jamais haveria motivo para processar quem quer que fosse e seria preciso extinguir o Poder Judiciário. Em outras palavras, toda pessoa é inocente até que se mostre suspeita. A partir da suspeita — fundamentada em indícios, claro — , ela não pode mais ser considerada inocente (como querem os juristas brasileiros), sob pena de se conspurcar o próprio conceito de inocência. A suspeita, senhores juristas, é um elemento essencial do Estado de Direito, como sabem os países civilizados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o não-culpado não é sinônimo de inocente — é apenas um suspeito sobre o qual não se encontraram provas do crime. Ou, por acaso, o fato de nunca ter sido alcançado pela lei faria do nazista Joseph Mengele uma Madre Tereza de Calcutá? Infelizmente, “neste país” faria, sim; sobretudo, agora, no governo Lula, quando a mais abjeta subversão de valores (como regalia para criminosos violentos) consolidou-se como política pública, financiada compulsoriamente pelo cidadão-vítima. A suspeita — tanto quanto a inocência e a culpa — é um dos pilares da Justiça. O que não pode é a suspeita sempre recair sobre o mordomo — como quer o presidente da República. Por isso, em nome da igualdade de classes, esquerdistas de todo o país, admiti: vosso chefe Lula é suspeito, sim! Sobram indícios de que Lula sabia de todas as falcatruas do PT e de seu governo. Desde quando Waldomiro Diniz, pessoa da absoluta confiança de José Dirceu, tentou subornar empresários do jogo, com indícios de que o dinheiro seria destinado às campanhas do PT, o processo de impedimento do presidente Lula já deveria ter sido iniciado nas instituições competentes. Naquela época, José Dirceu era chamado de “capitão do time” pelo próprio presidente, numa referência à sua condição de “primeiro-ministro” do governo. Depois, quando estourou o caso da compra de votos na Câmara dos Deputados, denunciada por Roberto Jefferson, os indícios de que o presidente sabia de tudo eram tão fortes, mas tão fortes, que, ao desprezá-los, a oposição também se tornou suspeita — de cumplicidade. Hoje, só a má-fé ou a toleima podem acreditar na inocência do presidente da República. Lula — bradam todos os indícios — é suspeito. Por que, então, o Brasil está com Lula? Por causa dos votos dos grotões — respondem os analistas políticos. Segundo eles, o Programa Bolsa-Família, sobretudo no Nordeste, foi o responsável pela vitória de Lula, que quase ocorreu no primeiro turno. Ora, se os grotões sozinhos fossem capazes de eleger um candidato, o cargo de presidente no Brasil seria vitalício. Todos os presidentes brasileiros — de Vargas a Lula, de Juscelino Kubitschek a Fernando Henrique — fizeram ou tentaram fazer populismo desbragado. Sim, Fernando Henrique fez populismo, mesmo não sendo populista como Lula. O Plano Real foi tecnicamente bem feito. Basta compará-lo com a heterodoxia tresloucada do Plano Cruzado. Mas parte do sucesso do Plano Real se deve à sua execução populista, claramente condicionada pelo calendário eleitoral, que, na época, foi programado às pressas para reeleger Fernando Henrique Cardoso.

Roseli Tardelli, da Agência Nacional de Notícias da Aids: patrulha ideológica A quase irresponsável paridade cambial do início do Plano Real provocou uma comoção popular com esse falso dólar tupiniquim, especialmente fabricado na Europa e transportado para o Brasil, num ritual publicitário. Comendo frango e tomando iogurte, com um sorriso de dentadura nova, os descamisados e pés-descalços (deserdados de Fernando I) finalmente foram ao paraíso com Fernando II. E a face literalmente mais visível do populismo de Fernando Henrique Cardoso foi a massificação dos televisores, favorecida pela Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994 — assim como a Copa do Mundo do México, em 1970, associada ao “milagre econômico” do general Emílio Garrastazu Médici, popularizou o rádio de pilha no país. Foram o Plano Real e a Copa do Mundo que transformaram o televisor numa praga urbana. No país do futebol e da telenovela, pode haver populismo maior do que infestar o país inteiro com televisores? O populismo costuma sustentar-se em dois pilares: um material e outro simbólico. Para ser popular, todo governante precisa oferecer algo de concreto ao povo, como a carteira assinada de Getúlio Vargas ou o congelamento de preços de José Sarney. Mas para fazer da popularidade um sistema, isto é, transformá-la em populismo, o governante precisa revestir-se de uma simbologia própria, que tem como característica essencial a simbiose entre indivíduo e massas, cabendo o papel do indivíduo exclusivamente ao líder. No populismo, o líder encarna a nação, dando-lhe uma dimensão simbólica: ele é a cabeça; ela, o corpo. A grande popularidade de José Sarney (que chegou a ter cidadãos falando em seu nome como fiscais do congelamento de preços) foi um fogo-fátuo. Durou só até as mercadorias começarem a sumir das prateleiras. Já a popularidade de Vargas erigiu-se como um sistema, em que ele pontificava como o “Pai dos Pobres”. É o que Lula almeja, daí o seu empenho em copiar o Programa Renda Cidadã, do governo goiano, transformado no Bolsa-Família, que se tornou a alma do fracassado Fome Zero. O programa atende a 11,1 milhões de famílias, distribuindo a cada uma delas entre 15 e 95 reais, a um custo de 8,2 bilhões de reais em 2006. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, eram atendidas 3,6 milhões de famílias a um custo de 3,6 bilhões de reais. Todavia, o impacto eleitoral de programas como esse não é apenas positivo — ele também traz contra-indicações nas urnas. Para cada família beneficiada, disposta a votar no governo Lula, sempre haverá uma família insatisfeita, achando que foi injustiçada por não participar do programa. É por causa desse efeito eleitoral negativo que todo candidato — seja de oposição como Maguito ou Alckmin, seja da situação, como Alcides ou Lula — promete ampliar os programas sociais. Programas de renda mínima (a cesta básica dos pobres) e programas de incentivo fiscal (a cesta básica dos ricos) são pilares sagrados do assistencialismo moderno — ninguém mexe. Quando a assistência social era confinada ao gabinete das primeiras-damas, fazer do assistencialismo uma política pública resultava num diferencial. O Programa de Combate à Fome, de Betinho, conferiu racionalidade econômica e dignidade cívica ao assistencialismo, obrigando prefeitos, governadores e até o presidente da República a assumirem tarefas que antes relegavam às respectivas primeiras-damas. Foi o que ocorreu no governo Maguito Vilela, em Goiás, talvez o primeiro do país a tratar a mera distribuição de alimentos como uma verdadeira política de governo. Hoje, quando governos de todos os partidos se empenham em estatizar os pobres, instituindo cotas e bolsas para todos os gostos, o Bolsa-Família de Lula já não está sozinho na disputa pelo eleitor carente. Ele enfrenta a concorrência de prefeitos e governadores de oposição.

Robert Gallo no Roda Viva: o cientista contra os inquisidores da esquerda Se houvesse oposição, claro. Porque esse é o grande segredo da esmagadora vitória do presidente Lula — ele não tem oposição. Ninguém, mesmo com muito boa vontade, é capaz de apontar qualquer diferença substancial entre o governo Fernando Henrique e o governo Lula. Não se deve esquecer que a espinha dorsal da política econômica do governo Lula é ditada por técnicos herdados do governo Fernando Henrique. A começar pelo goiano Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, que, ao deixar a presidência do Banco de Boston, elegeu-se deputado federal pelo PSDB goiano — nem chegando a assumir o cargo para assumir o Banco Central. O médico Antônio Palloci — que a oposição pefelista e tucana sustentou durante muito tempo, achando que fosse imprescindível para o país — simplesmente não fez falta. Tanto que o lugar de ministro da Fazenda continua vago — o marxista Guido Mantega é apenas uma figura decorativa. Essa percepção de que o presidente Lula apenas exerce o terceiro mandato de Fernando Henrique Cardoso não passa despercebida nem às famílias dos grotões nordestinos que recebem a bolsa-família. Do sertanejo piauiense ao metalúrgico paulista, passando pelo agricultor gaúcho e o seringueiro acreano, todos são capazes de perceber o óbvio — nada mudou no Brasil de Lula. A não ser o risco que o próprio Lula, na oposição, representava para o país e, agora, como governo, deixou de representar. A equação social é a mesma dos tempos de Fernando Henrique Cardoso, Dom Pedro II e Pedro Álvares Cabral (como diria Lula) — os ricos cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. E, para compensar essa distância que se aprofunda entre capital e trabalho, tome esmola! É bolsa disso, cota daquilo — por sinal, também herdadas do governo Fernando Henrique, que, por sua vez, as importava da ONU, a nova Internacional Socialista do mundo. O PSDB e o PFL poderiam ter apresentado uma proposta econômica alternativa à proposta do governo Lula? Teoricamente, sim, porque papel aceita tudo; concretamente, não, porque a economia está engessada. Ao contrário de outros setores em que causas e conseqüências são menos visíveis a curto prazo, na economia há um encadeamento lógico que obriga o governante a seguir determinado caminho mesmo que sua vontade fosse seguir outro. Na educação e na saúde, por exemplo, o governo Lula desfez quase tudo o que encontrou, extinguindo programas, criando outros, modificando vários. Na economia, nada disso é possível, porque o reflexo na bolsa de valores e no risco-país seria imediato. Agora, por exemplo, o presidente Lula está propondo renegociar a dívida dos Estados, pensando na sustentação política de seu próximo governo. Se o fizer, abrem-se as porteiras para os gastos, quando nenhum governo, até agora, conseguiu reduzir os gastos do Estado brasileiro, cada vez mais ávido de impostos. A única oposição possível ao governo Lula seria no campo moral. Não exatamente no combate à corrupção, em que os oposicionistas também têm telhado de vidro, mas na questão dos valores. Como toda sociedade de qualquer época, a sociedade brasileira é conservadora. Ela tolera mudanças, desde que não sejam abruptas. Só as sociedades doentes — como a sociedade francesa, que vive em coma moral desde a Revolução de 1789 — desejam transformações radicais. Por isso, a França é um país em decadência, profundamente dilacerado entre uma economia capitalista e uma mentalidade comunista, que mutuamente se trucidam, desnorteando a juventude do país, cada vez mais bárbara. Foi essa França das barricadas de Paris, construída entre a loucura e o vício, que se tornou modelo para os intelectuais brasileiros. O sociólogo Émile Durkheim (1858-1917) — um dos últimos intelectuais decentes que a França produziu — afirmava que a moral dependia intrinsecamente da lógica. Aliás, ele faz essa afirmação no clássico As Formas Elementares da Vida Religiosa, livro publicado em 1912, macensurado pelo marxismo tupiniquim até 1989, quando uma editora religiosa, as Edições Paulinas, o resgatou do ostracismo, já que a USP e as degradadas filhas da USP estavam mais preocupadas em estudar a obra dos assassinos Lenin, Mao e Stalin — como faz o doutrinador Paulo Freire, autor da Pedagogia do Oprimido, um clássico da auto-ajuda marxista travestido de ciência pedagógica. Em seu livro, Durkheim sustenta: “Para poder subsistir, [a sociedade] não tem apenas necessidade de suficiente conformismo moral; há um mínimo de conformismo lógico que ela também já não pode dispensar”.

Fernando Henrique Cardoso: políticas petistas do ex-presidente elegeram Lula Em minha dissertação de mestrado sobre violência nas escolas (em que tive de enfrentar o lixo ideológico produzido pela USP e suas pupilas), traduzi com o seguinte exemplo essa máxima durkheimiana: “A moral — como asseveram Durkheim e Piaget — não pode prescindir da lógica. Se um pai ralha com o filho que puxa o rabo do gato apenas pelo prazer de vê-lo miar de dor, necessariamente tem de ralhar com a filha que puxa as orelhas do cão apenas para vê-lo ganir. Sem um mínimo de raciocínio lógico capaz de estabelecer uma analogia entre filho/filha, gato/cão, rabo/orelha/dor, o pai será, necessariamente, injusto, ralhando com um e deixando de ralhar com o outro”. É exatamente por falta desse mínimo de “conformismo lógico”, que a USP (por intermédio do seu Núcleo de Estudos da Violência e do Laboratório da Criança do Instituto de Psicologia) justifica o latrocínio, pedindo penas cada vez mais brandas para assassinos reincidentes, e criminaliza a palmada, tratando como bandidos os pais que apenas querem educar seus filhos. Graças a essa razão bastarda, que leva à degeneração moral, petistas aloprados conseguiram subverter a lógica mais comezinha e — mesmo presos em flagrante delito, num crime que envolve quase 2 milhões de reais — conseguiram não apenas se passar por inocentes como até mesmo culpar suas próprias vítimas. Hoje, numa subversão sem limites da lógica, da moral e do bom senso, o PSDB se tornou culpado pela produção de um dossiê que tinha como objetivo destruir a ele próprio. É como se um assassino — ao ser flagrado por policiais e repórteres imediatamente após cometer o assassinato — simplesmente colocasse a arma na mão de sua vítima, erguesse-lhe o braço caído até o ouvido ensangüentado e apertasse outra vez o gatilho. Depois, abrindo os braços, com um sorriso nos lábios, ditasse a policiais e repórteres a conclusão do inquérito e a manchete do jornal: “Viram? Foi suicídio”. Quando a elite intelectual de um país abandona a razão, ela condena todo o povo a abandonar a moral. É o que vem ocorrendo no Brasil. Mesmo tendo superado Fernando Collor em toda sorte de desmandos, pondo em risco o próprio Estado de Direito, o presidente Lula não conquistou a reeleição por ter enchido a barriga das massas — mas porque a universidade brasileira esvaziou a cabeça das elites. Lula não está sendo reeleito pelos áridos grotões do Nordeste, onde habita um povo injustamente sofrido, mas pelos grotões mentais da USP e suas congêneres — onde homiziam-se estelionatários morais, especialistas em distorcer a ciência para melhor subverter os costumes. Um dos exemplos sintomáticos da subversão de valores protagonizada pelos intelectuais brasileiros é, sem dúvida, o Programa Nacional de Combate à Aids do Ministério da Saúde. Reiteradas vezes escrevi que ele não passa de um instrumento da barbárie gay, pautando-se muito mais pela ideologia marxista do que pelos fatos científicos. Mas confesso que ainda esperava algum escrúpulo desses intelectuais de esquerda, que, afinal, são doutores, com um currículo a zelar. E, no caso, lidam com vida e morte, que não são constructos para deleite intelectual, mas fatos da condição humana. Todavia, a entrevista do cientista norte-americano Robert Gallo ao programa Roda Viva, da TV Cultura (levada ao ar em 9 de outubro último), desvaneceu qualquer esperança de que os graves problemas brasileiros possam ter conserto mesmo a médio prazo. O programa ( que reuniou a nata dos especialistas em Aids do país) simplesmente revela que o Brasil perdeu a cabeça e merece o presidente obtuso que tem. O norte-americano Robert Gallo, 69 anos, é diretor do Instituto de Virologia Humana da Divisão de Ciência Básica do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Co-descobridor do vírus da Aids, juntamente com o francês Luc Montagnier, 74 anos, Gallo pensou que fora convidado para falar de ciência e Aids, mas seus entrevistadores insistiram em questioná-lo sobre política e Bush, com exceção do neurovirologista mexicano Roberto Trujillo. Um exemplo foi a intervenção do infectologista Caio Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, que participou com uma intervenção gravada. Considerado uma das maiores autoridades do país no tratamento da Aids, Rosenthal afirmou que a pesquisa sobre Aids progrediu graças a verbas de países do Terceiro Mundo e de universidades e fundações. Segundo ele, a indústria farmacêutica desenvolve medicamentos com essas verbas públicas e filantrópicas, mas se recusa a baixar os preços dos remédios para países do Terceiro Mundo. Por fim, quis saber o que Robert Gallo achava da peça de ficção que apresentou como fato científico.

Marilena Chauí, pensatriz: ela prefere ser um panfleto ambulante petista Ao contrário dos intelectuais brasileiros que temem a franqueza, o cientista norte-americano não mediu palavras para responder ao infectologista Caio Rosenthal. Gallo foi incisivo: “Para começar, não concordo com as suas premissas. A indústria farmacêutica, que eu saiba, reduziu bastante os preços para a África. (...) Precisamos nos ater aos fatos, não às críticas feitas por aí”. Depois, ensinou a Caio Rosenthal que recursos para pesquisa científica nada têm a ver com verbas para programas sociais (pois vêm de fontes diferentes de financiamento) e lembrou que Bill Gattes destinou uma “verba impressionante” para o desenvolvimento de uma vacina contra a Aids, exigindo que as indústrias envolvidas abdicassem de lucro. O dono da Microsoft doou 287 milhões de dólares para uma rede internacional de 165 pesquisadores, com o objetivo de desenvolver uma vacina contra o HIV, numa prova de que um capitalista não é necessariamente um lobo. Pacientemente, como se faz com menino de jardim da infância, Gallo ensinou a Rosenthal que a indústria farmacêutica “não é um monstro” e até participa, freqüentemente, da pesquisa básica. Ocorre que Caio Rosenthal é um cientista brasileiro e não dá importância a esse negócio de “fato”. Tudo indica que, para ele, Aids não é doença, mas ideologia. Talvez, no seu consultório, na relação médico-paciente, Rosenthal seja mesmo um infectologista, que honra o reconhecimento de que desfruta, mas suas intervenções públicas não são as de um cientista e, sim, as de um charlatão. Em outubro do ano passado, Rosenthal assinou o “manifesto de intelectuais” contra a cassação do deputado petista José Dirceu. Até aí, tudo bem. O cidadão Caio Rosenthal tem todo direito de se comportar como presidente de grêmio livre. Grave é quando o cientista Caio Rosenthal trata a própria Aids como ideólogo e não como pesquisador. Em abril deste ano, o procurador Tranvanvan Feitosa, do Ministério Público Federal no Piauí, ajuizou uma ação pedindo o fim do veto à doação de sangue por parte de homossexuais — norma estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária a partir de consensos científicos produzidos pelas autoridades de saúde. Em reportagem da Folha de S. Paulo, publicada em 20 de abril de 2006, o infectologista Caio Rosenthal comentou o assunto, afirmando que ser homossexual não significa maior risco de contaminação: “O conceito de grupos de risco é ultrapassado. Atualmente, as novas incidências do HIV acontecem mais entre heterossexuais e mulheres. Então eles também deveriam ser rejeitados para doação?” Ora, não é à toa que Caio Rosenthal foi chamado de mentiroso por Robert Gallo no Roda Viva, ao dizer que a indústria farmacêutica não baixou os preços dos medicamentos contra Aids. De fato, Caio Rosenthal mente ao dizer que a contaminação pelo HIV é maior entre mulheres e homens normais. (Digo normais e não heterossexuais, porque não tenho compromisso com a novilíngua esquerdista, mas com o bom senso.) Rosenthal mente com um cinismo espantoso e deveria ser punido com base no Código de Ética Médica. O que se pode esperar de um país em que uma autoridade de saúde não hesita em brincar com dados sobre uma doença letal como Aids? Todas as pesquisas científicas no mundo atestam que os homossexuais continuam sendo os grupos humanos com maior incidência de contágio pelo vírus HIV. Nos Estados Unidos, de acordo com dados oficiais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, os homossexuais foram responsáveis por 70 por cento de todos os casos de incidência de HIV e Aids notificados em 2004, mesmo representando apenas entre 5 e 7 por cento dos homens adultos e adolescentes do país. No Brasil, os dados só parecem dizer o contrário porque são manipulados impunemente para favorecer o movimento gay. Repito: desde o governo Fernando Henrique Cardoso, sobretudo a partir da gestão do economista José Serra, o Ministério da Saúde comporta-se como garoto-propaganda do movimento gay e manipula dados estatísticos para fazer de conta que os homossexuais deixaram de ser os alvos de maior incidência da Aids e da contaminação pelo HIV. Num país em que até médicos conceituados como Caio Rosenthal não hesitam em manipular dados em defesa da causa gay, o que se pode esperar de uma simples jornalista como Roseli Tardelli, diretora-responsável da Agência de Notícias da Aids, uma das incontáveis entidades sanguessugas que parasitam o vírus HIV? Bem, só se pode esperar aquele fanatismo esquerdista dos filhotes-de-chauí (crias mentais das Marilenas), como o que fica explícito numa das perguntas que joranalista Roseli Tardelli fez ao cientista Robert Gallo no Roda Viva: “A cada minuto, uma criança morre com Aids no mundo. Será que a Aids não está no mundo para mudar um pouco esta lógica do sistema capitalista, inclusive a lógica das patentes que o senhor sutilmente acaba defendendo?” Pelas barbas de São Marx! O HIV é o Vírus Redentor da Religião Gay, anunciando a Nova Era socialista. Homens e mulheres heterossexuais “deste país”: aproveitai para viver seus últimos dias de normalidade sexual! No próximo governo Lula, a “homofobia” não será apenas crime, mas pecado mortal — e estareis condenados ao fogo do inferno, entre choro e ranger de dentes.

segunda-feira, outubro 30, 2006

O resultado final

Enfim, o final do embate político. Sinceramente, só não fiquei mais triste, porque Alcides Rodrigues ganhou as eleições em Goiás. As nossas vidas são mais afetadas diretamente pelo governador. Daí, não me importar muito com a vitória do Lula. Para quem detém a máquina federal nas mãos (o PT é superescolado nisso), a confirmação do segundo mandato, ontem, foi o óbvio ululante.
Sei que serão quatro anos difíceis. Mas, para quem sempre lidou com dificuldades, não vejo problema nisso. Estou a um passso de fundar um dos maiores e mais bem-sucedidos movimentos políticos dos últimos anos: a Esquerda Liberal. Eu e meu amigo Sidney estamos em fase de conclusão do texto que irá nortear todas as linhas ideológicas dessa nova guinada na política brasileira.
A Esquerda Liberal é mais do que um simples movimento político. Ela é, em essência, um modelo governamental. Apontamos todos os problemas cruciais brasileiros e propomos saídas inteligentes para o caos por que passa o País em áreas estratégicas, como saúde, segurança pública, tecnologia e educação.
Portanto, meus queridos leitores, dêem-me mais um tempinho. Se quiserem construir algo sólido, confiável e eficaz, aguardem a Esquerda Liberal. Ela existe. Há braços.

terça-feira, outubro 24, 2006

A Esquerda Liberal

Custou-me muito aprender a lidar com as falcatruas da esquerda marxista. Não é de hoje que venho conhecendo-a por dentro. Militei por alguns anos (ou, em outras palavras: cooptei muitas almas puras para o rebanho petista!).
Agora, depois de muitas discussões com o meu amigo Sidney, cheguei a uma definição mais ideal de movimento político: a Esquerda Liberal. Já estamos discutindo um manifesto, para que todos tenham acesso ao mais novo modelo de sociedade. É aguardar e viver. Mantê-los-ei informados. Há braços.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Renato Manfredini Júnior (1960-1996)

A morte de Renato Russo e os meus 10 anos de Jornalismo


“É tão estranho / Os bons morrem jovens / Assim parece ser / Quando me lembro de você/ Que acabou indo embora cedo demais...” (Renato Russo)

Bem no ano em que ingressei no Jornalismo (1996), Renato Russo partiu desta para melhor. Comecei no jornal Ponto de Vista como resenhador de livros de literatura indicados para o vestibular da UFG.
Depois que o Fleurymar (evoé, meu amigo!) contratou o editor Pinheiro Salles, tudo mudou. Tive de fazer reportagens sobre cultura, com convencimento de jornalista profissional. Ocorre que, naquele ano, eu cursava o 3º ano de Letras na UFG. Não vinha, como muitos, do curso de Jornalismo. Minha experiência se limitava à leitura sistemática de jornais e revistas. E de livros sobre Jornalismo (Linguagem jornalística, de Nilson Lage, por exemplo).
Confesso que minha escrita era muito irregular, porque na faculdade não se escreve com regularidade. Meus professores não eram um bom exemplo a se seguir. Minto: tive dois (Laércio e Vítor Hugo) que me ensinaram que o professor de Português, para justificar esse ofício, tem de saber ler e escrever bem.
Mas, para a minha sorte ou para o meu azar, Pinheiro Salles (apesar de seu esquerdismo exacerbado) me ensinou a ser enxuto, seco, diretivo na redação. Foi aí que afiei a minha veia prosaica. A minha precisão vocabular. A minha ironia.
Dou a mão à palmatória: em 1996, eu era, de cor e salteado, um boboca a serviço da esquerda (leiam as minhas 10 lições práticas sobre esse assunto a dois textos abaixo). Em momentos de descontração, Pinheiro e eu compusemos duas canções. Letra, dele; música, minha.
Antes, porém, desse episódio, escrevi uma crônica sobre a morte de Renato Russo no dia 11 de outubro daquela primavera funesta de 1996. Fiquei feliz, pois, para um iniciante, o texto correspondeu à expectativa. Hoje, lendo-o, faria muito melhor. Afinal, 10 anos separam-nos daquela homenagem.
A epígrafe continua a mesma. Retrata, com precisão, o sentimento que me abateu, quando soube da morte de meu ídolo musical. Aprendi a tocar violão ouvindo Legião Urbana. Tocando, toscamente, Tempo Perdido. Que pena que a tempestade que chega não é da cor daqueles olhos castanhos. A tempestade é vermelha, e tem nome e sobrenome: Lula e PT.
Renato Russo, tenho plena convicção disso, não se compactuaria com dossiês, mensalões, a exemplo de músicos como Wagner Tiso e Zeca Pagodinho, tão benevolentes que são com o governo corrupto de Luís Inácio Lula da Silva.
Para mim, rememorar ainda é uma incógnita. Sei que é bom viver a vida da melhor maneira. Tenho muita saudade das melodias de Renato Russo. Da minha entrada no Jornalismo. E, melhor do que isso, do meu processo de desidiotização durante esses 10 anos que me separam da morte do líder da Legião e do meu primeiro contato com o mundo porra-louca do Jornalismo.
Por isso, dedico este texto aos meus alunos do 1º ano de Jornalismo da UFG de 2003 (no final deste ano, muitos se formarão), e a todos aqueles jovens jornalistas que não confundem os homófonos incipiente/insipiente como sinônimos. Se bem que são raríssimos esses jovens. Dedico também ao exímio jornalista do Opção, José Maria e Silva, um exemplo de Jornalismo crítico e decente, que me ensinou a duvidar da esquerda. E, por último, ao meu primeiro editor Pinheiro Salles com todos os seus efes e erres. Há braços. Estou indo de volta pra casa...

terça-feira, outubro 10, 2006

Mais uma lei hedionda

Não ficarei omisso quanto à nova lei que entrou em vigor ontem: a dos usuários de drogas. Estou escrevendo o que penso sobre isso. Vocês verão que, mais uma vez, a esquerda conseguiu massacrar o direito à vida, descriminalizando o usuário, que é, em essência, co-autor dos crimes praticados por traficantes de drogas. Amanhã, publico o texto. Há braços.

sábado, outubro 07, 2006

A primeira pesquisa e o primeiro debate

Ontem, o Datafolha divulgou a primeira pesquisa de intenção de votos para presidente da República. Não houve novidade. Teoricamente, a diferença entre Alckmin e Lula se mantém na casa dos 7 pontos percentuais.
Como ocorreu no primeiro turno, espera-se que, depois do horário político gratuito na TV e no rádio, o tucano abra vantagem sobre o pseudopresidente Lula. É bom não se esquecer de que a Band realiza amanhã, às 20 horas, um debate em que estarão frente a frente as duas vertentes que pretendem governar o Brasil pelos próximos quatro anos.
Torço para que Alckmin destrua o sapo barbudo antes mesmo do debate que a Globo promoverá às vésperas da eleição. Afinal de contas, o Lulinha é muito ruim de argumento, principalmente porque finge não ouvir nada, não ver nada, não desconfiar de nada. Mentira tem pernas curtas. A do pseudopresidente virá à tona neste segundo turno. Evoé. Há braços.
P.S.: não deixem de ver o debate.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As 10 maneiras mais fáceis de se tornar um idiota a serviço da esquerda


1- Declare-se revolucionário, citando Karl Marx, mesmo sem ter lido uma linha sequer de O Capital, ou mesmo do pseudopanfletário Movimento Comunista (a farsa de Marx e Engels);

2- Filie-se ou ao PT, ou ao PC do B, ou ao PSTU, ou ao PCB, ou ao Psol. Dedique grande parte de seu tempo diário às balelas dos líderes desses partidos;

3 – Insista na idéia hedionda, segundo a qual a bandidagem é fruto das desigualdades sociais, típicas de países capitalistas, selvagens, subdesenvolvidos (a burguesia é sempre culpada);

4 – Defenda o Estatuto da Criança e do Adolescente, sem se dar conta de que ele é a chave principal da porta que se abre para o incentivo aos crimes praticados por bandidos-mirins;

5 – Leia todos os textos de Leonardo Boff, Frei Beto, Marilena Chauí, Emir Sader e Paulo Freire (orgulhe-se desse raro privilégio diante de seus professores de História, Geografia, Filosofia, Português e Ciências Sociais);

6 – Acuse a burguesia dos crimes que você próprio irá cometer em nome da Revolução (lembre-se, sempre, da máxima de Lênin: "Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”);

7 – Atribua aos Estados Unidos todos os pecados venais dos países da América Latina (detalhe: não se esqueça de que o seu ídolo contemporâneo é Hugo Chavéz, o maior boboca da história sulamericana);

8 – Jamais desconfie do Foro de São Paulo, e da ligação dos partidos de esquerda com ele; tampouco, não veja ligação das Farc com o PT, com o PC do B, com o PCC;

9- Nunca se deixe levar pela idéia equivocada de que a cúpula dos partidos de esquerda nada tem que ver com a roubalheira que tomou de assalto todas as instituições ideológicas do Estado de 2003 para cá;

10- Por fim, atenda ao chamado urgente dos líderes esquerdistas, quando eles disserem: “Vamos botar a militância na rua”, “Vamos liberar a militância para votar em quem quiser no segundo turno” (não se esqueça de que o PT, em Goiás, estará ao lado de Íris e Maguito).

Essas são, em resumo, dicas valiosas para que você se sinta orgulhoso de ser um idiota revolucionário. Siga, à risca, todos esses procedimentos. Não se preocupe com o que vão dizer os seus colegas: eles serão os primeiros a colocarem uma bola vermelha bem na ponta do seu nariz. Há braços.

P.S.: É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar.
professorcleiton@yahoo.com.br

quarta-feira, outubro 04, 2006

Amanhã será um lindo dia...

Queridos e amados leitores: aguardem, para amanhã, um texto que está quase pronto sobre o perigo que é apoiar o governo criminoso de Lula. Vou enumerar dez lições que transformam um cidadão de bem em idiota da esquerda, em cego político, em burro-de-cargas. A famosa expressão "massa de manobra" serve, como um brinco, na orelha de todos os militantes do PT e do PC do B. Aguardem! Dias melhores virão. Há braços.

terça-feira, outubro 03, 2006

Um novo tempo vem aí!

Cumprimos o nosso dever cívico: levamos a eleição para o segundo turno. Agora, depois de passadas as intempéries, é o momento de refletirmos sobre as estratégias e aplicá-las ao embate político.
Lula vai amargar a pior derrota de sua vida. Nós, as pessoas de bem, iremos nos livrar de um governo autoritário, canalha, cuja cúpula partidária está toda envolvida com o crime organizado.
Não se espantem com os ataques que o PCC comandará em São Paulo nos próximos dias. A ordem partirá de membros da coordenação de campanha de Lula. E, como sempre, ele negará e afastará todos os envolvidos (cretinice é marca registrada do sapo barbudo). Mas, fico feliz, porque a cúpula petista só não é mais burra por falta de espaço. É isso. Há braços.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Imagem do dia (que bom se houvesse a possibilidade do segundo turno!)




Até domingo, muitas águas vão rolar. Geraldo chegá lá! Com a força do bobo, o Lula ameaça a democracia brasileira!

quarta-feira, setembro 27, 2006

Dia bom para tornar felizes os meus pares!




Hoje, irei ao Veinho. Ele é dono da chácara, de onde tirei esta foto. Passa um córrego no fundo (Capivara), o verde é dantesco, a vida vívida... Invejo-o, meu querido leitor! vá lá, vale a pena!

Imagem do dia




Parece estranho, mas não é. Começo o dia com o pôr-do-sol. Quem sabe, assim, termino minha existência mais cedo. Hoje. Ir além, para mim, do cotidiano conturbado de Goiânia. É isso. Desfrutem-no! Há braços.

terça-feira, setembro 12, 2006

Modelo de trabalho prático para alunos da Salgado (especial)

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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA
ESPECIALIZAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA
Prof. Mestre Cleiton dos Santos Pereira
Luziânia, GO, 12 de setembro de 2006.

TRABALHO PRÁTICO DE ESTILÍSTICA



TEMA: Figuras de sintaxe
ASSUNTO: Anacoluto

TEMPO DE PREPARAÇÃO: 8 horas
TEMPO DE EXCUÇÃO: 8 horas
TEMPO DE CORREÇÃO DE TEXTOS: 6 horas
TEMPO DE DISCUSSÃO COM OS ALUNOS: 3 horas
TEMPO DE REVISÃO DETALHADA: 5 horas
TOTAL: 30 horas



Objetivo:

Estimular o raciocínio lógico por meio de construções sintáticas, que ofereçam níveis satisfatórios de produção textual.


Justificativa:

O ensino de análise sintática (em outros tempos, análise lógica) é muito controverso. Questiona-se a eficácia dele. A meu ver, a qualidade da análise depende única e exclusivamente da competência do profissional que se propõe a desenvolver o exercício com conhecimento de causa. Por isso, os objetivos desse tipo de aula só serão atingidos se houver material didático de excelente nível e professor de Português que tenha domínio pleno da matéria.


Metodologia:

Apresentação de teoria; leitura de textos em prosa e em verso; caracterização sintática a partir de transparências; produção discursiva ao término das explicações.



Bibliografia básica:

ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1969.
CAMARA JR, J. Mattoso. Contribuição à estilística da língua portuguesa. 24. ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1997.
GOLDSDTEIN, Norma. Versos, sons e ritmos. 7. ed. São Paulo: Ática, 1991.
LAPA, M. Rodrigues. Estilística da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
Martins, Nilce Sant”Anna. Introdução à estilística. São Paulo: T. ª Queiroz, 2000.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Estado de torpor

A inversão lógica dos direitos civis brasileiros é espantosa. A cada dia, reflito sobre os perigos iminentes de grupos crimosos que tomaram de assalto as instituições públicas. Quanto mais tento entender esse mecanismo, pergunto-me, boquiaberto: até quando iremos ficar parados, escrevendo textinhos na internet, colunas em jornal de circulação restrita, como o Opção, em Goiânia (veja-se o último texto do Zé Maria, Promotoria rasga Estatuto)?
O crime avança espantosamente, e nós, pessoas de bem, sofremo-lo na pele. Durmo assustado. Acordo assustado. A facilidade com que o criminoso atua nas ruas Goiânia é assustadora. Há, entre eles, policiais civis infiltrados, corrompidos por traficantes de drogas. Hoje, o glamur do bandido goiano é ser traficante. E, pasmem!, até carros preferenciais eles têm: Golf ou Audi.
Toda a violência urbana (a rural está quase chegando lá!) tem origem no tráfico de drogas. É muita grana em jogo. A apreensão que a polícia paraguaia fez na semana passada, na fronteira com o Brasil, é a ponta imperceptível do iceberg. Todos os dias, sem exceção, entram, pela fronteira brasileira, armas, drogas, arsenais de guerra.
As Forças Armadas não podem agir, porque os esquerdóides iriam acusá-la de "golpe contra a democracia". A esquerda faz um mal tão grande à nação, que o despertar para ela já pode ser tarde. Despertei faz pouco tempo. Vi o quanto fui nocivo a pessoas humildes, que acreditavam em mim, como centenas de alunos que passaram pelas minhas mãos em mais de 11 anos de sala de aula.
Onde moro, no setor Balneário, há uma gangue de criminosos (traficantes, assaltantes, assassinos), cuja idade varia de 14 a 17 anos. Ou seja: são menores de idade, não sabem o que fazem. Basta que a polícia os aborde, que a frase de efeito é proferida: "sou de menor!". Ai dos policiais que não atenderem a essa ordem!
Há, entre os criminosos, o líder, um tal de Dioninho. Ele perambula pelo bairro, sobre uma motocicleta, conhecida por mobilete, com o rosto de quem sabe de cor e salteado todas as leis hediondas do Estatuto da Criança e do Adolescente, por ser "de menor". A empáfia naquele rosto criminoso atiça, em mim, o mais perturbador dos sentimentos: o ódio. Tenho medo desse sentimento. Ele me ressuscita a ira. Estimula o rancor.
Ainda este ano, vou promover discussões sérias, com pessoas sérias, sobre a possibilidade de criação de um fórum permanente, para que se discutam, todos os dias, a estratégia de bandidos nos bairros, a atuação da polícia civil nos bairros, a atuação da PM nos bairros. Temos de aprender a exigir, estrategicamente, direitos, respeito à nossa dignidade.
O estado de torpor em que se encontra a sociedade brasileira (em especial, a goiana!) deve ser combatido com discussões, estratégia e ação. É só agindo, que seremos respeitados. Se dependermos das instituições públicas (entupidas até a goela pela esquerda!), seremos reféns de uma guerra sem fim, cujos comandantes declarados são o Foro de São Paulo, o PCC, as Farcs, o PT, o PC do B, os sindicados partidarizados e os policiais civis e militares corruptos. Acordemos, meus amigos, enquanto há tempo! Há braços.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Oração em homenagem aos que ainda crêem na salvação brasileira

Deus, Senhor da Boa Esperança: indigno-me todos os dias em Seu nome.
Sois a palavra exata para o momento preciso.
Nós, os bem-aventurados, ainda não tomamos conta da gravidade por que passa o nosso país.
Dize, Senhor Bom, se podemos acreditar em algo sublime, que traga sossego e paz aos homens de boa vontade!
Renego meus defeitos, para, em Vosso nome, dizer: "Deus tem de existir! Ele precisa existir! Minha esperança depende da existência d´Ele!"
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Meus queridos e amados amigos: apego-me a tudo, só para me encorajar ao enfrentamento. Precisamos nos livrar dos parasitas políticos. Em Goiás, os vagabundos querem vencer à custa de estelionato. Vendem bolsa para tudo: chegou a hora de criarmos o bolsa-cadeia. Temos de enfiá-los lá! Cadeia neles, meus amigos! Evoé. Há braços.
Deixo, com ternura, este belíssimo soneto de Augusto dos Anjos, Amor e Crença. Oxalá!

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Sabes que é Deus? Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?
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Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?
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Ah! Se queres saber a sua grandeza
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp'la do Céu santa e infinita!
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Deus é o Templo do Bem. Na altura imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a crença,
Ama, pois, crê em Deus e... sê bendita!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Como é fácil escrever poemas

Tenho birra enorme com alguns teóricos das Letras, que insistem em dizer que não é função do professor de Português ensinar o aluno a produzir textos literários. Isso é mentira. Transformo qualquer um em literato do dia para a noite (quem duvidar, que me procure!).
Minha experiência como professor de língua materna e como escritor prova-me, a cada dia, o que nem todo mundo sabe: não existe inspiração; existe, sim, transpiração. Transpirando, escrevemos bem. O hábito determina a qualidade do que se escreve.
Vou provar como é fácil escrever poemas. Peguei a escola literária Simbolismo como modelo. Veja o poema que criei a partir dos traços estilísticos simbolistas. O poema se chama Música (na verdade, um soneto de versos livres). Aliás, musicado pelo compositor José Miguel Rodrigues. Ei-lo:
____________
"Violões cantam o lirismo celestial,
Os anjos soam no ar as canções bíblicas,
Os místicos sons das toadas líricas
Flamejam o flavo, o fluente, o fluvial.
....
Harpas azuis, alvas aliterações,
Eclesiásticas canções do trêmulo clamor,
A virgem-voz evidencia o esplendor
Das sensações, das emoções, das vibrações.
....
Sinfonicamente, a vigília dos olhos teus
Acaricia a claustra alma, os sonhos meus
Viabilizam baladas de seu rútilo coração,
....
Música, aclamem na aurora luz dos meus dias!
Com a incontestável candidez que, dos brilhos, fazia
Entorpecer os semitons e tons da Primogênita Canção!"
....
Observe que não há nenhum momento de spleen. Qualquer pessoa lúcida, que mantenha a prática da escrita diária, consegue produzir algo parecido. Os poetas não são iluminados. Como todo bom escritor, o que eles se limitam a fazer é pensar, organizar, escrever. Feito isso, caro leitor, você também pode produzir textos diversos. Experimente. É isso. Há braços.

As trilhas da dor

Em frenesi, a narrativa de Bicho de Sete Cabeças traduz a angústia da personagem principal por meio da música



Se conseguiu ou não ser um grande filme, os críticos que se virem (sejam eles especializados ou coisa que os valha!). Só sei que negar a qualidade de Bicho de Sete Cabeças (Brasil, 2000) é dar tiros no escuro.
A diretora Laís Bodanzky conseguiu feito louvável ao misturar narrativa e música, com esta última ditando o ritmo, as seqüências do filme. Direção musical segura de Arnaldo Antunes e André Abujamra, o enredo todo parte das canções para direcionar a trama das personagens. Do início ao fim.
Tem tudo que ver a vida de Neto (Rodrigo Santoro) com os temas musicais. A cada seqüência, um verso diferente, carregado de dramaticidade, cuja descrição lingüística revela os conflitos entre pai e filho, entre amigos, entre ímpetos adolescentes, entre sexo e dor.
A vida em manicômio, não sei se na mesma proporção que se vê no filme, aparece como o caos telúrico profundo. O pai (Othon Bastos) de Neto não o entende; os amigos de Neto não o entendem; a mãe (Cássia Kiss), sim, o entende. Os loucos, no manicômio, não só o entendem, como o reverenciam (o filme é adaptação do livro Canto dos Malditos, de Astregésilo Carrano, personagem real de uma história aterradora).
Assim se constrói Bicho de Sete Cabeças: um filho incompreendido, um pai intolerante, um médico sádico, canastrão e sovina, uma vida usurpada pela incompreensão. Rodrigo Santoro demonstrou muita segurança ao viver o azarado Neto (aliás, o que não faltou foram premiações para o filme no Festival de Brasília; a de melhor ator, entre elas). Azarado, porque não se fazia compreender. Parece muito a incompreensão da personagem Piano, de A enxada (conto antológico do goiano Bernardo Élis): quanto mais se busca resposta para coisas aparentemente simples, mais surgem complicações; e o desfecho, como sempre, não favorável ao protagonista.
Particularmente, não sei se por ser compositor, observo muito a trilha sonora dos filmes. Em Bicho de Sete Cabeças, Arnaldo Antunes mantém a sua performance psicodélica, encaixando cada verso, cada melodia, cada arranjo, aos passos de Neto, em seu árduo caminho de aflição. Nisso, o mérito do filme deve muito à qualidade musical da trilha.
Em toda boa película, há sempre as seqüências mais marcantes. Para mim, as cenas finais de Neto, em provável tentativa de suicídio, não deixam dúvidas quanto à narrativa agonizante que se confunde com a música, revelada diante da direção precisa de Laís Bodanzky. Nesse momento, as lágrimas dificilmente se escondem.
Eu poderia muito bem falar também dos defeitos do filme. Mas não costumo falar mal das coisas de que gosto. Se me emociono, esqueço as partes ruins. Bicho de Sete Cabeças tem problemas também. Mas os omito por pura (ir)responsabilidade. Afinal de contas, todo resenhador é um pouco canalha: enaltece umas coisas; esculhamba outras. Ossos do ofício, meu rei! Há braços.

domingo, agosto 27, 2006

Domingo: um dia bom para a languidez

Domingo é bom. Todo mundo sabe. Alguns reclamam porque ele antecede a segunda-feira. Quer dizer: se não houvesse a segunda-feira, reclamariam da terça-feira, e assim sucessivamente.
Gosto do domingo. Há muito o discuto em minhas crônicas. Fiz vários textos sobre ele, cuja essência lembrava a canção do U2 Sunday Bloody Sunday. Muitos morreram no domingo: Princesa Daiana, Mamonas Assassinas, por exemplo. Hoje, vou-lhes mostrar um poema sensualíssimo de Olavo Bilac, o mesmo que se estuda em faculdades de Letras como o poeta objetivo, ourives, seco. Tirem a conclusão vocês próprios se ele é ou não é lírico. Às favas com as faculdades de Letras. Eis Satânia:





"Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se e, mais leve,
Como uma vaga preciosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.

Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia..."

quarta-feira, agosto 16, 2006

A era da telecracia global

Em 41 anos de existência, atribuíram-se à TV Globo várias alcunhas, desde a de destruidora dos lares brasileiros à de porta-voz oficial do governo; esta, pelo visto, é a mais coerente com toda a programação da emissora carioca



Em 26 de abril de 1965, surgiu, no Rio de Janeiro, a emissora que se tornou a mais influente fonte de formação discursiva do Brasil: a TV Globo. Naquele contexto, um ano após o golpe militar de 64, a esquerda brasileira construiu seu alicerce ideológico, delegando à Globo o atributo de mercenária, porta-foz dos militares, direitista, pelega, conservadora.
No Brasil, de fato, não há escolha: quem não for de esquerda será: direitista, pelego, conservador. Reside, aí, um fator fundamental para entendermos essa trajetória de inferno e glória por que passou a emissora de Roberto Marinho.
Em nenhum momento de sua história, a Rede Globo deixou de favorecer os governos hegemônicos que passaram por Brasília. Se for para condená-la, a esquerda deve repensar duas ou mais vezes o conceito de porta-voz oficial do governo. De todas as TVs privadas em funcionamento no Brasil, não há nenhuma que seja tão benevolente com o governo Lula como a Globo.
Todas as viagens do presidente têm cobertura exclusiva da Vênus Platinada. Todos os discursos atrapalhados (insólitos, melhor diria!) de Lula são editados como se fossem aula de cultura geral (França), diplomacia (Haiti) e redenção (África). A sensação que tenho (e isso é pavoroso!) é que Luís Inácio Lula da Silva não briga exclusivamente para que o País tenha assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Pelo contrário: tenho certeza de que ele quer suceder Kofi Annan na Presidência da Organização das Nações Unidas.
Por enquanto, esqueçamos essas bobagens! Partamos para outra forte jogada global (na visão da esquerda, é claro!): a teledramaturgia. Não tenho dúvida de que a Globo é, seguramente, uma das mais fortes redes de TV no mundo que produzem programas com qualidade inquestionável. Não é à toa que ela é considerada a quarta maior rede do planeta. Mas isso não a livra dos esquerdistas de plantão que a têm como produtora, em suas telenovelas, de cenas obscenas, de violência, de incentivo às drogas, ao homossexualismo e ao escambau!
Porém, o buraco é mais em cima. Vejamos alguns pequenos exemplos: Cassiano Gabus Mendes (já falecido) escreveu Que rei sou eu?, em 1989, e dizia a esquerda que o protagonista (Jean Pierre), vivido por Edson Celulari, nada mais era do que o Collor disfarçado. Para piorar a situação, no mesmo ano, Lauro César Muniz escreveu O salvador da pátria, cujo protagonista era vivido por Lima Duarte (o bobalhão, retardado, analfabeto, que se tornou líder e fracassou). O nome da personagem? Sassá Mutema. E tchantchantchantchan!!! Não se assustem: sim, para a esquerda, era o Lula em carne e osso. Por isso, ele perdeu a primeira eleição direta, depois dos governos militares.
A história, todo mundo sabe: Collor ganhou a eleição. Confiscou poupança. Aprontou o escarcéu com seu fiel tesoureiro PC Farias. E, enfim, dançou! Eis que surge Gilberto Braga com seus Anos rebeldes (1992). Contam que a minissérie dele foi a causadora do movimento dos caras-pintadas. Ora: a Globo não é nefasta? Como poderia, sendo porta-voz da direita, favorecer os estudantes, os trabalhadores, os desfavorecidos? Bem: aí é uma outra história...
Do impeachment para cá, a Globo investiu em outras produções, das quais se destaca Pátria Minha, de 1994 (novamente com Gilberto Braga no comando). Para espanto geral da nação petista, houve, nesse ano, a Copa do Mundo nos EUA. Na visão esquerdista, a intenção da novela era exaltar o ufanismo brasileiro, revestido com a conquista do tetra. E o pior! Em 1º de julho daquele tenebroso ano de 1994, surgiu o Real. Seu criador foi alçado ao posto-mor da nação. E Luís Inácio Lula da Silva amargou, meses depois, mais uma derrota presidencial.
Pelo que vimos até agora, nesta breve análise dos 41 anos da Globo, uma coisa fica clara: ela não abriu mão de seus princípios éticos, ao apoiar os presidentes do Brasil. Encurtando a conversa: em oito anos de governo, Fernando Henrique passou por agruras, diabruras e outras mulas, por ser o maior representante neoliberal das Américas. Mais uma ilusão ótica da esquerda.
Posto isso, daqui em diante, vou mostrar a benevolência global para com o PT. Afora a fictícia Alca (que só existiu nos discursos de professores, alunos, sindicalistas e jornalistas), todos os ventos sopraram para que Lula assumisse seu lugar no Palácio do Planalto em 2002. Aguinaldo Silva (esquerdista oculto) escreveu, nesse ano, Porto dos milagres. O protagonista Guma (Marcos Palmeira) tinha tudo para ser presidente do Brasil: simples, honesto, de origem pobre, batalhador e, o melhor de tudo, LÍDER.
Quem acompanhou o último capítulo da novela percebeu que Guma assumiu a prefeitura da cidade, com o discurso segundo o qual com sangue, suor e lágrima atinge-se o objetivo sem parcimônia. A esquerda conseguiu ver aí o nascimento de um líder que de Guma passou a Lula. (Permitam-me uma pequena digressão: a propósito, nas eleições de 2002, quando Marconi Perillo se candidatou à reeleição, houve um movimento liderado pelo PC do B (o partido que consegue ser governo e oposição simultaneamente!), com o simpático nome de Luma - ou seja: Lula e Marconi -, cujo mentor foi o então secretário de Ciência e Tecnologia - Gilvane Felipe. É a vida, companheiros!).
Divagações à parte, abri o parêntese apenas para mostra que, se fundíssemos Luma com Guma, na trama de Aguinaldo Silva, teríamos o Luma (não foi o caso em Goiás). Nota-se que, depois das eleições de 2002, de que se extraem as mais exuberantes histórias surrealistas da política brasileira, a Globo se juntou a Lula e nunca mais se separou dele. Pior: calou a boca da esquerda, que sempre demonizou a emissora de Roberto Marinho, considerando-a a porta-voz oficial da direita do País.
Se observarmos o comportamento global diário, não há dúvida de que ela está com Lula e não abre. Se for possível, convence o brasileiro de que o nosso presidente é o melhor do mundo e pode solucionar todos os problemas sociais, psicológicos, psicóticos, neuróticos em mais quatro anos de mandato.
Diante dessa nossa calorosa discussão, fica a pergunta: se a Globo é tão malvada, tão ideologicamente neoliberal, cujos interesses estão fincados nas grandes corporações nacionais e internacionais, por que ela sustenta um governo caótico com as mesmas armas que sustentou a ditadura militar na década de 1960? Ou seja: armas que mostram como o governo é bom, tudo está tranqüilo, tudo vai de bom a melhor?
Não é difícil perceber que, por trás da Rede Globo, está um arsenal de investimentos à disposição de qualquer governo que seja hegemônico. Caso o PT perca a eleição, o partido que sair vitorioso será agraciado pela TV de Roberto Marinho. Afinal de contas, como quer a esquerda, a quarentona Plim Plim é a porta-voz oficial do governo. Eu diria: de qualquer governo!
Deixemos de lado, então, essa tolice, segundo a qual a Globo é a causadora de todas as desgraças humanas congregadas, como diria Augusto dos Anjos, em um de seus célebres poemas. Ela é a maior potência da comunicação brasileira. É natural, pois, que detenha o maior poder de formação discursiva num país continental como o nosso.
Mais: essa babaquice de que a Globo influencia mal as pessoas é pura balela. Os mesmos idiotas que a criticam apóiam iniciativas funestas como a distribuição de camisinha, pelo Ministério da Saúde, para crianças a partir de 12 anos, a apologia ao crime do Estatuto da Criança e do Adolescente, a proibição de pesquisas com células-tronco, a pluralidade ideológica e discursiva. Enfim: são os mesmos idiotas que acreditam que Deus é brasileiro e atribuem aos Estados Unidos a pecha de serem o cartão postal do Capeta.
Pois bem: sem mais delongas, o que falta a nós brasileiros (incluem-se aí todos os aparelhos ideológicos personificados) são iniciativas individuais que possibilitem a liberdade de escolha. Ser livre é não ser de esquerda ou de direita. É tirar conclusões de tudo o que for perverso, e fazer o possível para desvelar a perversidade de quem pratica toda e qualquer espécie de crime. Ao contrário do que pregam as Amélias da Educação (como diria José Maria e Silva), temos de parar com a idiotice educacional de formar “cidadãos críticos” (isso é eufemismo de militante esquerdista!). Temos de formar cidadãos livres. Aqueles que não sairão cuspindo marxismo ou qualquer outro ismo como forma de militar para este ou aquele partido.
Enfim: os 40 anos da Rede Globo provam que um país forte se faz com seres pensantes e independentes. Que sejam livres das Comunidades Eclesiais de Base, da teologia da libertação, dos movimentos estudantis, dos sindicatos, da cegueira evangélica, do MST, do PSOL, do PT, do PC do B, do PSDB, do PFL e de qualquer outro partido que possa existir neste mundo!
professorcleiton@yahoo.com.br

segunda-feira, agosto 14, 2006

A inversão perversa da lógica humana

Indignado seria pouco para o que sinto. Depois que a Globo divulgou as imagens de um bandido-militante, na madrugada de domingo último, à imagem e semelhança dos terroristas do Hizbollah, fiz-me perguntas diversas:
1- Seria a hora de as Forças Armadas tomarem providênica em relação às forças armadas e criminosas que se instalaram em São Paulo?
2 - Até onde vai a relação do PT com tudo isso?
3 - Pode, a Rede Globo exibir um vídeo, enaltecendo o poder de fogo de criminosos protegidos por ONGs de direitos humanos de bandidos?
4 - O jornalista brasileiro, depois do episódio Portanova, deixará de ser cretino e passará a noticiar o perigo instaurado no Estado de São Paulo, fruto de militâncias da velha esquerda em presídios, em associações de moradores de favela?
5 - A Igreja (a Católica, sobremaneira!) tomaria alguma decisão para punir padres-militantes, pastores de presídios, grupos de jovens livres, que apóiam quadrilhas como o PCC em nome da fé?
6 - O estudante brasileiro é tão burro, que não percebe a omissão da UNE, justamente no momento em que ela (pelas balelas que sempre pregou!) deveria ir às ruas e pedir providências ao presidente da República? E a CUT: cadê os direitos do "trabaiadô"?
7 - Pessoas honestas, intelectuais compromissados com a cidadania não estariam se omitindo (como eu, neste momento!), limitando-se a meros textos revoltosos, publicados sobretudo em páginas da internet?

8 - Onde está o Ministério Público, que não hesita um segundo em pedir punição a policiais que, em confronto, mandam bandidos para o Inferno?
9 - O PFL de Cláudio Lembo é tão retardado, a ponto de não responder à altura aos ataques praticados em São Paulo, por bandidos que têm residência fixa? Ou o PFL ignora que as ordens partem dos próprios presídios?
10 - Enfim, já que está declarada guerra civil no País, não seria a hora de criarmos milícias também, para combater criminosos, uma vez que a polícia está com as mãos atadas, vítima de promotores, de ONGs de direitos humanos de bandidos, dos padrecos da Teologia da Libertação, das pseudoteorias de Marilena Chauí, da promiscuidade da imprensa brasileira ante o aparelhamento petista em todos os níveis sociais?
Bem, meus amigos, faria mil perguntas, se quisesse. Mas lamento a minha fragilidade diante do banditismo oficial criado pela velha esquerda, e espalhado por todas as instituições públicas brasileiras.
Para que entendam a minha indignação, leiam o texto dos membros do PCC, exibido pela Globo na madrugada de sábado, publicado por Veja.
Não poderia terminar este texto sem a última pergunta:
11 - Desde quando bandido coitadinho, vítima do sistema, da exclusão social, escreveria tão bem ao gosto de advogados, de juízes, de promotores, como vemos no texto abaixo? Tirem suas conclusões, meus amigos!

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A íntegra do texto lido e atribuído ao PCC 13 de Agosto de 2006


À 0h28 deste domingo, o repórter Cesar Tralli entrou no ar em rede nacional em um plantão especial do Jornal da Globo para informar sobre a condição imposta pelo Primeiro Comando da Capital para não matar o jornalista Guilherme Portanova, seqüestrado na manhã de sábado: a veiculação na íntegra de um DVD produzido pela facção com reivindicações a respeito do sistema carcerário. No DVD, aparece um homem jovem, com uma touca ninja e um blusão azul. A seguir a íntegra do plantão da emissora:Cesar Tralli: “O auxiliar técnico da TV Globo Alexandre Calado, seqüestrado hoje (ontem) de manhã junto com o repórter Guilherme Portanova, acaba de ser libertado. Os seqüestradores o deixaram perto da emissora e deram a ele um DVD, dizendo que a condição para libertar com vida o repórter que está em poder deles é a divulgação na íntegra das imagens. O conteúdo é o que segue:‘Como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), venho pelo único meio encontrado por nós para transmitir um comunicado para a sociedade e os governantes. A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado, pela Lei 10.792 de 2003, no interior da fase de execução penal, inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se clientela do sistema penal, a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão um nítido caráter do castigo cruel.O Regime Disciplinar Diferenciado agride o primado da ressocialização do sentenciado, vigente na consciência mundial, desde o ilusionismo (sic) e pedra angular do sistema penitenciário nacional, inspirado na escola da nova defesa social. A Lep (Lei de Execução Penal) já em seu primeiro artigo, traça como objetivo o cumprimento da pena e a reintegração social do condenado, a qual é indissociável da efetivação da sanção penal. Portanto, qualquer modalidade de cumprimento de pena em que não haja comitância (sic) dos dois objetivos legais, o castigo é reintegração social com observância apenas do primeiro, mostra-se ilegal e contrário à Constituição federal.Queremos um sistema carcerário com condições humanas, não um sistema falido desumano no qual sofremos inúmeras humilhações e espancamentos. Não estamos pedindo nada mais do que está dentro da lei. Se nossos governantes, juízes, desembargadores, senadores, deputados e ministros trabalham em cima da lei, que se faça justiça em cima da injustiça que é o sistema carcerário: sem assistência médica, sem assistência jurídica, sem trabalho, sem escola, enfim, sem nada.Pedimos aos representantes da lei que se faça um mutirão judicial, pois existem muitos sentenciados com situação processual favorável, dentro do princípio da dignidade humana. O sistema penal brasileiro é na verdade um verdadeiro depósito humano, onde lá se jogam os serem humanos como se fossem animais. O RDD é inconstitucional. O Estado Democrático de Direito tem a obrigação e o dever de dar o mínimo de condições de sobrevivência para os sentenciados. Queremos que a lei seja cumprida na sua totalidade. Não queremos obter nenhuma vantagem, apenas não queremos e não podemos sermos (sic) massacrados e oprimidos.Queremos que as providências sejam tomadas, pois não vamos aceitar e ficarmos de braços cruzados pelo que está acontecendo no sistema carcerário. Deixamos bem claro que nossa luta é com os governantes e policiais, e que não mexam com nossas famílias que não mexeremos com as de vocês. A luta é nós e vocês.’Tralli: Este é o vídeo enviado pelos seqüestradores. Outras informações sobre o seqüestro do jornalista Guilherme Portanova a qualquer momento.”

sexta-feira, agosto 11, 2006

Esperem um pouquinho mais...

Meus queridos e amados amigos: neste fim de semana, estarei em Bom Jesus da Lapa, BA, ministrando um curso de Semântica para a especialização em Língua Portuguesa da Salgado de Oliveira. Na segunda-feira, conto-lhes sobre a minha relação sexual com a presidenciável Heloísa Helena (que mulher gostosa!). Vai ser uma bomba! Acredito que ela passará o barbudinho... Fiquem à espreita! Há braços.

quarta-feira, agosto 09, 2006

O princípio do prazer (resenha)

Despedida em Las Vegas desperta a vontade de morrer à revelia de conceitos morais e religiosos


Aos olhos cristãos, Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas, EUA, 1995) não soa bem. É um filme que choca alguns conceitos, sobretudo o que fere o pudor das pessoas: o sexo e as drogas. Essa será a saída do roteirista decadente Ben (Nicolas Cage) e da prostituta Sera (Elizabeth Shue). Juntos, o alcoólatra e a meretriz viverão a trajetória do amor sem limite.
Lembra-me muito a prática da eutanásia (em outras palavras: morte sem dor). Talvez seja estranha essa afirmação, já que o alcoolismo, quando mata por si só, gera muitas dores, ao provocar cirrose em grande parte dos alcoólatras.
Digo eutanásia, porque (apesar de haver a justificativa de Ben, mostrando o seu problema familiar: talvez desentendimento com a esposa) Despedida em Las Vegas encerra a idéia de que podemos programar a nossa morte. E é a isso que assistimos: Ben decide morrer bebendo, bebendo, bebendo...
Na tela, o telespectador sofre catarse constantemente: a obsessiva ingestão de álcool da personagem interpretada por Nicolas Cage (cuja performance lhe rendeu oscar de melhor ator) causa repugnância à moral da grande maioria do público. Este, atônito, assiste aos mais graves atentados ao pudor bíblicos.
Sera, a prostituta dos sonhos da maioria dos homens, vive relacionamento conturbado com um cafetão, que, sem mais nem menos, é assassinado por supostos inimigos. Ela se prontifica a aceitar Ben na casa dela, contanto que ambos não se cobrem, não queiram que haja especulação sobre aquilo que praticam (mais da parte dele do que da dela).
Quem sabe seja da maneira escolhida por Ben a melhor forma de morrer... O problema é que a escolha da própria morte, dentro mesmo da lei (nem é preciso falar biblicamente disso), não é permitida. Pacientes em estado terminal precisam agonizar-se, em salas de reanimação, até o momento final de suas vidas.
Despedida em Las Vegas traz, a meu pesar, a possibilidade de escolhermos a nossa morte, sem que isso seja condenado pela Justiça, pela moral e fé cristãs ou por qualquer explicação metafísica que haja no mundo.
Assim, em grandes doses de uísque, vodka, tequila, o telespectador se vê acuado, abismado. Além disso, quando se vê a cena em que Sera é estuprada, a grande maioria do público imagina-se numa sala de cinema, em que o cardápio principal são filmes de pornografia.
Certo ou errado, o problema levantado no filme provoca discussões e, em certa medida, medo. Digo “medo”, porque não se imagina que a vida possa se resumir a sexo, drogas e, em vez de rock and roll, a muito jogo e diversão.
Despedida em Las Vegas, para mim, além da música-tema (interpretada por Sting), verdadeira obra de arte, é extremamente belo. Queria, como no filme, morrer em Las Vegas (com ou sem Sera), ouvindo Chico Buarque e Tom Jobim, ao lado de pilhas de latas de cerveja, uísque e vinho. Quem sabe, morrer lá (e da mesma forma que Ben) deva ser mais prazeroso do que morrer num país cujos princípios éticos foram jogados na lata de lixo.

professorcleiton@yahoo.com.br

Da janela (roteiro literário)


CENA 1 – PAREDE DE UMA CASA ANTIGA – EXT/DIA


Música incidental: Da janela

A CAM percorre a parede de uma casa antiga. Os cartões de apresentação surgem, indicando nomes de atores, diretor etc.


Corta rápido para:



CENA 2 – JANELA DA CASA ANTIGA – EXT/DIA


Ao término dos cartões de apresentação, a CAM descobre Efigênia debruçada sobre a janela.


NARRADOR (off) – Da janela, os olhos úmidos. Triste, o viés misterioso do olhar. Efigênia chora (inserto: close nos olhos dela). Um sonho esfacela-se. O amado partiu (inserto: close nos pés de um homem em movimento). Cruel, a sina. Magoada, contempla o infinito desejo de morrer da menina do retrato.

EFIGÊNIA (Em monólogo interior) – Quem será?

NARRADOR (off) – Franze a testa, limpa as lágrimas e volta a observar a vida depois da janela.


Corta rápido para:



CENA 3 – INTERIOR DE UMA CASA – INT/DIA

CAM revela o interior da sala, descobrindo a impassibilidade da mobília (à la Augusto dos Anjos, em “Poema Negro”).


NARRADOR (off)– Dois mundos, o dela: a solidão nefasta da interioridade da casa...

Corta rápido para:

CENA 4 – PONTO DE VISTA DE ALGUÉM DA JANELA – EXT/DIA


CAM revela a exterioridade da rua, como se alguém estivesse observando, da janela, o lado de fora.

NARRADOR (off) – A sedutora imagem da exterioridade da rua.

Corta rápido para:

CENA 5 – JANELA DE CASA ANTIGA – EXT/DIA


NARRADOR (off)– Transpor a abertura na parede, ir ao encontro do Outro, tornar-se um Ser à procura de respostas: Efigênia, quando adormece, ascende a isso. Protela o ímpeto todas as vezes.

EFIGÊNIA (Em monólogo interior) – Ainda provarei que sou feliz...

NARRADOR (off) – Os olhos não fogem do horizonte longínquo da cidade. Pequena cidade (inserto: take da visão geral da cidade). Efigênia gosta de perfume. Reconhece as pessoas pelo aroma (em muitos casos, pelo odor). Dia desses, viu um homem cuja fragrância se parecia com a descoberta da felicidade (inserto: close no rosto do homem). Temeu o perfume: quiçá armadilha olfativa. O homem, ao contrário, podia não lhe dar filhos. Ela planejava uma família feliz. Tradicionalmente feliz. Instituição social, mesmo! (inserto: tomada de uma família reunida no horário ”sagrado” da refeição: o pai, à cabeceira; a mãe e a filha, do lado esquerdo; os dois filhos, do lado direito). Sua filha chamar-se-ia Beatriz (por enquanto, o pai fugiu; quem sabe voltará?). Ela gosta desse nome.

EFIGÊNIA (Em monólogo interior) - Be actress!

NARRADOR (off) – Recorda as aulas de Inglês.

NARRADOR (off) – Teatro: um dia almejou atuar nesse espaço dramático (inserto: take da entrada de um teatro). Desistiu antes da primeira peça, cujo enredo (fatidicamente assim): de família burguesa, um rapaz abre, de toda a riqueza que possuía, mão: parte em prol do amor de Carolina. Ela, antipoeticamente, morre no parto. Ele, morto existencialmente. O filho, na noumenalidade do NÃO SER (inserto: seguem-se a essa descrição a mãe, coberta por um lençol azul, em cuja região da vagina há manchas de sangue, e o pai que, desesperado, chora ininterruptamente, com a criança morta no colo). A moça da janela desistiu do papel principal, pois temia a Morte (inserto: Efigênia, no centro do palco de um teatro, rasga folhas de um texto dramático). Na ficção, há motivos para que atores vivenciem a experiência do palco no dia-a-dia (inserto: em redemoinho, surge um jornal cuja manchete principal é o relato sobre a morte da atriz Daniela Perez). Por isso, desligou-se do elenco o mais rápido possível. Ser atriz era o primeiro sonho de Efigênia. Os outros, mistério (inserto: close em um ursinho de pelúcia sobre uma cama). Quis ela que o destino a pusesse no caminho certo. Mas o amado partiu: levando, com ele, o amor dela; deixando, com ela, a ausência dele. Novamente a foto: a menina permanecia anônima àqueles olhos perscrutadores.

EFIGÊNIA (Em monólogo interior)– De quem seria filha?

NARRADOR (off) – A mancha amarela denunciava a antigüidade do retrato. Havia resquícios de palavras femininas no verso da foto(grafia). Dedicatória à mãe da menina (inserto: close no verso da foto). Efigênia olha novamente o horizonte (inserto: ponto de vista dela) e resolve tomar uma decisão: quer desbravar o enigma da rua: essa eterna morada dos loucos, dos bêbados, dos leprosos, das meretrizes, dos amantes, dos alcoólatras, das donzelas, dos fetos em latões de lixo e, principalmente, do proibido... (inserto: a cada fala descritiva do Narrador, close nas figuras referidas).

Corta rápido para:

CENA 6 – RUA EM FRENTE À JANELA – EXT/DIA


NARRADOR (off) - Salta a janela (inserto: em croma, tendo como fundo a parede da casa, sobre cuja janela Efigênia debruça, vê-se a figura dela de braços abertos, saltando para a rua): a sensação é de orgasmo múltiplo: descobrir o profícuo sabor do lado de fora da vida. Alegra-se. Ri com a foto na mão. Saltita, várias vezes, até alcançar o êxtase da liberdade. Dança feito criança no meio da calçada. Qual bailarina russa...


PONTUAÇÃO MUSICAL (inserto: close na cabina de um caminhão preto)


NARRADOR (off) – Corte: de repente, o trágico. Descuida-se. Sorriso de criança em face de mulher. Dos que trafegam, os olhos esbugalhadamente atônitos (inserto: close nos rostos de alguns figurantes: gari, executiva, pedestres, operário, negro, criança etc, boquiabertos pela cena a que assistem). O objeto aniquila a elipse do sujeito: um caminhão preto sela a existência da moça da janela. E o evento carrega, impunemente, a foto da mão de Efigênia...


A CAM fecha em Efigênia estirada no chão. Vê-se o sangue escorrer da boca e da cabeça dela. Instantes. Música: Parte de ti.

Corta rápido para:


CENA 7 – CARTÕES DE ENCERRAMENTO - TELA ESCURA

Música: Por ela

Surgem nomes de colaboradores, de figurantes, de possíveis patrocinadores, de pessoas que ajudaram na realização do vídeo etc.
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A sintaxe paratática de "Contos Cardiais" (prefácio)



“Por mais veterano, por mais hábil que seja um contista, se lhe faltar uma motivação entranhável, se os seus contos não nasceram de uma profunda vivência, sua obra não irá além do mero exercício estético”. (Julio Cortázar)


Aprendi, com João Cabral de Melo Neto, a retirar a gordura do texto: fazer, a todo instante, lipoaspiração nas palavras. Ou melhor: como os árcades, cortar o que for inútil. Preferir a transpiração à inspiração. Privilegiar o chão à nuvem. Enfim: ser telúrico, orgânico, cirúrgico.
Todo esse cuidado com o texto (a propósito, muito mais do que se imagina!) Vítor Hugo tem de sobra. Sua sintaxe é cortante, afiada, elegantíssima. Em suma: ingordurosa. Despe-se dos adjetivos delirantes, das nuances metafóricas. Assiste-se, antes de tudo, à sintaxe lacônica, cabralina, que se reveste de clareza, de objetividade, de concisão. Por isso, fascina.
Engana-se quem se dispuser a ler os Contos Cardiais com apenas o coração. Deve-se lê-lo, em detrimento de qualquer compreensão, com o cérebro, com a precisão cirúrgica à Ivo Pitanguy (perdoe-me a analogia médica!). Eliminam-se o adiposo, as sobras, os lipídios, os glicídios. A palavra, somente ela, é quem monitora o olhar atento do leitor.
Podem-se ver, na sintaxe narrativa dos contos, os pontos cardeais (a paranomásia do título do livro não é gratuita!). Todos os lugares por que passou o escrevinhador Vítor Hugo (em suas dores, em seus amores, em seu inferno e glória!) estão vivos, vivíssimos, na voz do narrador anônimo, que perpassa a sintaxe paratática dos enredos (muito parecidíssimo com o narrador machadiano, que escre(vivia) suas histórias com a perspicácia inerente às testemunhas oculares).
Para ser mais sincero: Vítor Hugo, meu amigo, você não tem cura. A sua escrita é logocêntrica. À Roland Barthes. Não por acaso, assim como eu, acredita, também, que a Lingüística é a ciência maior. A Semiótica, apenas filha bastarda dela. Nesse ponto, barthianamente, compartilhamos a mesma opinião (o que é coisa rara: que o diga o meu vício pirrônico, como você já disse certa vez, em carta enviada ao Laércio, na Corte!).
Essa maneira de narrar, que faz inveja ao curitibano Dalton Trevisan, desvia os olhos da história para os olhos da palavra. Vemos, em primeiríssima mão, o vocábulo; depois, o enredo. Como os formalistas russos, o discurso em vez da história. O enunciado em vez da enunciação.
Para a compreensão da narrativa de Contos Cardiais, vale mais a sintaxe do que a semântica (ou, convenientemente, vice-versa, bem ao gosto dos críticos de Noam Chomsky!). Sendo assim, a literariedade que Jakobson nos ensinou em seu famoso artigo O que é poesia? (1978): “A palavra é então experimentada como palavra e não como simples substituto do objeto nomeado, nem como explosão da emoção”.
Se não, vejamos:

a) “grudarnela na cantina...” (Gula)
b) “pichar a democradura...” (Polaca)
c) “Es-ti-lha-ça-do, o escuro silêncio...” (Eles)


Nesse caso, o significante é, em si, o próprio significado. Para ele, os nossos olhos. Para ele, o cuidado do narrador. Vemo-nos na palavra. A história, primorosa também, caminha paralelamente. Nem por isso, menos importante. Ofusca-se, porém, diante do primor sintático do enunciado.
Mas, registre-se, o NARRADOR COM (à Jean Pouillon) apresenta os pontos cardeais mediante as particularidades dialetais de cada região (escre)vivida nos Contos Cardiais. Dos Portos Velho e Alegre a Curitiba, do Rio de Janeiro a Goiânia, as marcas lingüístico-locais são evidenciadas pela artimanha do discurso narrador:

a) “Sirênica, fecunda, reveladora, a noite porto-velhense, sócios...” (Amargo feito sorvete – Porto Velho)

b) “- Guria! Eu já te disse que tu não é piá! Tu não pode fazer xixi em pé, guria!” (Vingança – Porto Alegre)


c) “Desculpem-me a presunção mas um nadinha de cabotinismo não faz mal a ninguém. Certo, Leminski?” (Polaca – Curitiba)

d) “Dioniso da Silva, aliás, o ‘Bonito’, como ele prefere e exige mesmo dos outros, andava esquisitão naquele início de primavera. Desbundado, injuriadão. Cachorro com bicheira na orelha, sacumé?” (O seqüestro – Rio de Janeiro)

e) “Seios, eu diria sutiã tamanho 46 (eu não vos disse que ela era bitelona?), de carnação rósea na cor, no perfume, no gosto, no tato. Meus travesseiros, eles. Uma redondez de formas, NooooooosSenhora!, de causar ereção mesmo a um Matusalém, melhor, a um Enoch.” (Sob(re) Ancila – Goiânia)

Assim, pelas frestas da linguagem, as variações diatópicas, diastráticas, diafásicas se encontram e se confundem. Descobrimos o lugar pela palavra. Por ela, os caminhos idiossincrásicos do nosso destino, do nosso falar brasileiramente. Eis os Contos Cardiais: de cor (ô) e de cor (ó). Dos olhos (em primeira mão) e do coração (em segunda mão).
As reses (sintaticamente) prevalecem em detrimento do predicado. As sentenças dos contos são curtíssimas. Daí, a preferência pela parataxe. Ou seja: a ausência de subordinação e de coordenação. O vocábulo, ele próprio, a frase, o sintagma nominal. Nisso, Vitor Hugo chega a ser artesão. Vasculha as vísceras da palavra. Parataticamente, um ourives. Enfim: “Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!" (bilacmente!).
Bom exemplo disso é o conto Diana-Chupeta. Quase todo qualificador. O verbo desaparece. Dá lugar à precisão cirúrgica do sintagma adjetival. Por esse motivo, ler os Contos Cardiais é muito mais que deleite. É aprendizagem e palavra, discurso e sobriedade, cérebro e concretude.
Não fiquemos apenas com esse aspecto. O conflito das narrativas percorre o caminho tênue entre o "nós" e os "outros" (o emplotment, como nos ensinou Hayden White). Permita-me o meu inofensivo bairrismo: a Ancila (quem é escravo de quem?), pela beleza, pela luxúria, tinha de ser de Goiânia. Terra das mulheres mais bonitas do mundo (não, meu coração não é menor do que o mundo, Drummond! Ele tem mania de grandeza...).
Ressalte-se, pois: a astúcia do Divino 45, a Gula de Neuza Beatriz, o sofrimento do implícito Jean Valjean em Eles (reescritura dOs Miseráveis, de Victor Hugo: ambos, românticos!). Toda essa gama de personagens, que nos remontam ao universo continental brasileiro: do Rio Madeira ao Guaíba, do largo do Humaitá ao Lyceu de Goiânia. Tudo move como se a vida estivesse ali, na fineza narrativa, no labor das palavras de cor.
Enfim: Vitor Hugo insere a lâmina sintática na contística contemporânea brasileira. Por isso, este livro demarca a vida literária deste carioca mundano, e o lança ao rol dos principais contistas que surgiram em nossas letras do final dos anos 80 para cá. Contos Cardiais o provam. Deleite-se com mais esta prova de amor à palavra, à literatura, à vida literarizada. Grande abraço, meu amigo crônico!

Ceilândia, DF, 23 de novembro de 2005!
Quarta-feira!
15h6!
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terça-feira, agosto 08, 2006

Liberdade condicionada (CONTO)



Presídio Ilha da Boa Esperança. Um forte construído no meio do deserto. Aqui, não se vê gaivota voar. Aqui, aparecem caminhões superlotados: a mercadoria é gente viva. Outros caminhões, agora de cor preta, levam muita gente: só que, dessa vez, morta. Abílio é o encarregado pelos que batem a caçoleta: assim são anunciados os que morrem. Ele perdeu a conta de quantos já transportou. Lembra-se, de quando em vez, dos corpos mutilados em briga interna. A lei do silêncio. Abílio não reclama de nada. Não diz nada. Há muito, descobriu um amigo: Herculano. Este veio de cidade distante. Esqueceu o nome dela (Os homens me perseguem...), dizia, cauteloso. Ele acreditava ser inocente. Mas não dizia nada. Havia o Chefe. Impávido Chefe. Mantinha a metafísica da presença.
Certo dia, Herculano, no necrotério do presídio, foi ter, com palavras, ao amigo coveiro/transportador de corpos. (Cê viu? O Clóvis... morreu.) (Passava da hora!). (É ele aquele ali?). (É, sim!).Herculano regurgita uma idéia. (Vamos fazer um trato?). (Não quero confusão pra mim, hein?!). (Escuta: amanhã, às cinco horas da madrugada, escapo da cela e entro dentro do caixão: cê leva o morto junto comigo...). (Isso vai dar bode!). (Dá, não, bobo! Nós somos espertos! Cê enterra eu e ele, depois cavuca o chão, me retira lá de dentro e eu fujo... Ninguém vai saber aonde fui parar). (Sei, não!).
Os dois continuaram a discutir. Abílio, no fundo, gostava do amigo. Hesitou muito. Decidiu atender ao pedido de Herculano. O dia caminhou como de rotina. Briga só na hora da bóia. Unzinho quis garfar o bucho do novato. Guardas, o Mal na cara, impediram o motim. Levaram choque, os presos. Todos os envolvidos. A vingança ao arruaceiro, nesses casos, é coletiva. Tanto da parte dos milicos quanto da parte dos confinados. Herculano não escapou dessa (mesmo não tendo nada a ver com a confa). Levou muito choque. Não revidou. Tinha a doce esperança de fugir dali no outro dia.
Clóvis, na aterradora posição de defunto, jazia com um leve sorriso no canto da boca. Diziam que era muito malandro. Irônico, nos dizeres do Chefe (Blefava sempre, esse patife. Forjou um desaparecimento, há muito. Tomou muita porrada. Sempre leva porrada). Morreu pela boca (Dizem). Falou demais. O Chefe não permite falatório. Não se discute: executa! Não se revida: consente! (Dá a outra face para a porrada!). Muita briga, ali. Somente Abílio passava despercebido. Homem de poucas palavras. Não tinha família. Amou uma vez: Flora, mulher de verdade (Segundo ele). Depois que ela morreu, o amor dele foi junto. Desacreditou do ser humano. Tudo morre. Se arranjasse outra mulher, morreria como a primeira. A carne é podre. Resolveu ser coveiro. Assim, tanto faz como tanto fez: enterraria as pessoas sem ressentimento algum.
A noite foi chegando e desaparecendo como um relâmpago. A madrugada surgia como surge o desejo de liberdade dos sabiás, que cantavam todas as manhãs na Ilha da Boa Esperança. Um canto alegre: porem, com desfecho fúnebre. Eles, os sabiás, anunciavam, como dizia Abílio, a Morte. E dessa ninguém foge. (Nem o Capeta. Porque o Deus-Pai é poderoso. Mata toda gente que maltrata), cochichou Abílio no ouvido de Clóvis, cujo corpo, nu, repousava em uma maca. (Vam’bora, mortinho, sua hora chegou. Dessa vez, não haverá blefe!).
Abílio, sem mais nem menos, sente um estalo no coração (Premonição? Tolice de quem já está com a idade avançada - 50 anos? Coisa à-toa?). Reflete uns instantes. Ignora a dor repentina. Nisso, já eram duas e meia da madrugada. Às cinco em ponto, estava lá Herculano, pronto para embarcar na Barcarola da Liberdade. Ele sonhou voando pelo deserto numa aeronave. Um anjo lhe contou que era uma barcarola. Ele sorriu no sonho. Acordou sorrindo.
Antes de entrar, confere, no bolso da calça, a lanterna que havia ganhado de Abílio. Seria a luz no fim da morte. Ou melhor: no fim do túnel. Herculano sabia que podia contar com o amigo. Às cinco horas e meia, mais ou menos, estaria a caminho da liberdade. Indescritível o momento da partida. O nobre fujão sentia o crepitar, não de chamas, mas de fagulhas de pedras estraçalhadas pelos pneus do Caminhão da Morte. A cada trepidação, um sentimento de alívio: estava chegando a hora. O morto, ao seu lado, gélido. Cheirando a formol. Corpo nu. (Credo!!!), pensou. Independentemente do odor, o defunto foi o motivo da saída de Herculano da Ilha da Boa Esperança. Que fedesse, que putrefizesse, que soltasse pus, que derretesse ao seu lado! A liberdade ignora qualquer tipo de sacrifício!
De repente, freia-se o caminhão. Há movimentos de passos. (É Abílio!), riu-se. (Força, amigo, tô indo embora), alegrava-se. O caixão desceu muito rápido, como se despencasse num abismo. O choque com o fundo da cova fez Herculano dar um pequeno grito. Mas, e daí? Só havia o morto e o amigo Abílio presentes. Nada que o comprometesse. Detalhe: simultaneamente à ansiedade, ouvia-se o chuvisco lúgubre da terra sendo arremessada para o orifício fatídico do deserto. A tampa do caixão fez um leve movimento, devido ao peso da terra que lhe foi despejado. Herculano achou estranho esse tanto de terra. Ficaria dificultoso para Abílio retirá-la com maior rapidez. Continuou esperando...
Mesmo na escuridão telúrica, Herculano desconfiava de que o tempo havia passado um pouco, desde que chegara ao local combinado para a fuga. A aflição tomava conta dele. Queria saber o porquê da demora. Gritou várias vezes o nome do amigo. O som batia e voltava num eco ensurdecedor e medonho. Cansado de esperar, pegou a pequena lanterna e conferiu o relógio. (Sete horas, já?!), espantou-se. Já era tempo de estar em liberdade. Resolveu conferir, por intuição, a face lívida do morto. Surpresa: o corpo que jazia ao seu lado era o de Abílio...

Perversos e pervertidos (RESENHA)

Com Cazuza, o tempo não pára, a elite carioca global se consolida, de vez, como a maior produtora de lixos e porcarias audiovisuais



Não é de hoje que a elite carioca insiste em ditar modas no Brasil (das pornochanchadas à novela Dancing Days, tudo é imitável). Reconheço que, nesse quesito, ela é campeã. As novelas da Globo provam-no. A cada folhetim, novas manias, novos penteados, novos modelos de roupa. Do figurino ao modo de rir, o Brasil se encanta com as caras e as bocas da classe média da cidade maravilhosa (?).
Veja-se Páginas da Vida: o Rio de Janeiro com que todo mundo sonha. Ocorre que aquele Leblon é tão verdadeiro quanto a inocência cretina do presidente Lula diante da corrupção instaurada pelo PT em Brasília. Manoel Carlos, o autor da novela, morador antigo do bairro, abrilhanta o que parecia impossível: o caos urbano dos morros, com suas mortes, suas perversidades (aos olhos do turista, o Rio é uma Paris do século XXI).
Fiquemos com essa pequena introdução, para começarmos a discutir o filme Cazuza, o tempo não pára (Brasil, 2004), que será exibido na próxima quarta-feira pela Globo. A primeira pergunta que me faço: por que o Ministério da Cultura (cujo ministro é tão importante quanto as areias movediças do pantanal sul-mato-grossense) consegue financiar tantas desgraças culturais, sem se dar conta (ou fingir que não dá) do crime que aplica à nação brasileira? Talvez eu esteja enganado: o golpe do financiamento público já venha de outras épocas...
A Globo Filmes, uma das produtoras, depois que entrou no mercado fílmico, angariou toda a máfia possível na aprovação de projetos chulos como o filme em questão. Cazuza, o compositor, não tem mérito algum para ganhar película em seu nome. Ele foi, na minha opinião, quando muito, um letristazinho de quinta categoria. Em suma: um burguezinho carioca sem rumo, que se alimentava dos pais com sonhos e desilusões de quem tem muito dinheiro para gastar à toa.
O filme é, ele todo, medíocre. A história é de uma futilidade desmedida. E aí me faço a segunda pergunta: de que vale a vidinha gay de Cazuza, erigida como exemplo de moral e heroísmo? A sociedade brasileira não tem a obrigação de financiar a trajetória de um veadinho drogado, só porque os baluartes da Globo acreditam que Cazuza foi o Fernando Pessoa da década de 80 (é bom que se diga que o movimento gay cresce, espantosamente, na imprensa brasileira: vide o Diário da Manhã, em Goiânia).
Os diretores Sandra Werneck e Walter Carvalho (aquela, insossa; este, sem açúcar e sem afeto!), a cara e a coroa da boçalidade carioca (se eles têm ou não têm mérito, recuso-me a evidenciá-lo), conseguiram o que todo diretor não gostaria de conseguir: fazer um filme ridículo, com cenas descabidas, e, ainda sim, ganhar destaque na imprensa pela glória que não tiveram.
Daniel de Oliveira (o gay), digo, o Cazuza, incorporou de tal maneira os tiques cazuzianos (permitam-me a tirada!), que não hesito em dizer que, depois das filmagens, ele deve ter queimado a rosca por aí. Era real demais para ser fingimento...
Marieta Severo, a Lucinha Araújo (mãe de Cazuza), era em gênero, número e caso a Nenê, de A Grande Família: os mesmos gestos, os mesmos trejeitos. Reginaldo Faria, o João Araújo (pai de Cazuza), era sem pôr e sem tirar o Doutor Fontes, de Sinhá Moça: o mesmo jeito de olhar, de falar, de gesticular. Em suma: fizeram jus à porcaria que é Cazuza, o tempo não pára.
Pode ser que eu tenha exagerado um pouco. Mas o meu dinheiro não é capim, tampouco bosta de fossa, para que o Ministério da Cultura financie as merdas intelectuais da elite carioca, desvirtuando, de forma desproporcional, o caminho inteligente que eleve a moral da juventude e enalteça pessoas sérias, que sirvam de exemplo aos nossos filhos, à nossa família, à nossa geração.
Cazuza não foi e nem será exemplo de nada. Aliás: ele deve ser o exemplo a não ser seguido pela juventude que o reverencia, vítima que é da imagem distorcida que a Globo cria na cabeça das pessoas por meio da mídia. Senhor ministro Gilberto Gil, faça-me o favor! Rede Globo, vá para o Diabo que a carregue!

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