Quem
me conhece e conhece a Lolita não imagina que estamos juntos. Nos dizeres
d’Ela, estamos de gudinho. Bem:
depois de tanto tempo, é muito provável que ninguém imagine, de fato, que
estamos juntos. Mas estamos. De gudinho.
Conheci
partes do corpo d’Ela que somente quem pode vê-la, à imagem e semelhança da Eva
(no Paraíso), viu. Vi a boca primeiro. Beijei-a. Vi a tatuagem depois
(beijei-a). Mas ainda não vi a caverninha
(beijá-la-ei escandalosamente, quando a vir!).
A
Lolita tem algumas particularidades geniais. E geniosas. Segura meu ímpeto
sexual com muita paciência. Aliás, fico impaciente, às vezes, com o caminho
imposto pela Lolita para que eu chegue à caverninha
de vez. Sedento. Retesado. Alucinadamente, ereto.
Das
paixões que tive, a da Lolita causa-me mais ansiedade. Ela pensa algumas coisas
de uma forma; eu, de outra. Isso nos aproxima muito mais do que nos afasta.
Quando penso que desandou para o descaminho, encontro-a sorridente, tesuda,
minha, lânguida, maliciosa. Ela tem o poder de sedução muito caro às mulheres
balzaquianas. Ela é balzaquiana, diga-se!
Percebo
algo de desconfiança da parte d’Ela. Disse que era ciúme. Mas Ela não dá o
braço a torcer. Diz que estou enganado, pois quem se apaixonou por aqui fui eu;
não Ela. No fundo, a Lolita sente algo por mim e se esconde dessa realidade.
Ela, de maneira bem sorrateira, gosta de mim também. Senão, por que estaria
comigo?!
Nesta
semana, prometi a mim mesmo que farei amor com a Lolita. Só depende do
consentimento d’Ela. Acho que, se houver algum tipo de medo, insegurança, a coisa fica fácil de ser resolvida. Primeiro, porque
estamos juntos e de gudinho. Segundo,
porque a caverninha d’Ela já é minha
há mais de 10 anos (in memoriam).
Torço
para que tudo dê certo e que, nesta ânsia
suprema de beber, a Lolita repense tudo a partir desta crônica. De como o gudinho pode estimular a caverninha. De como preciso d’Ela e da
caverninha d’Ela. De gudinho e sem gudinho. Entrarei naquele corpo, e farei
inveja a qualquer pai de santo. Eu juro! Beijo de gudinho em sua caverninha,
Lolita!