terça-feira, novembro 27, 2007

Eu e Ela (novamente)

A gente quase não se olha. Medo da paixão (acho que d'Ela). Os olhinhos pretinhos, serenos, provocadores, desconfiados. Ela me deixa na dúvida: será que se faz de boba, ou, de fato, sabe que a desejo, que a quero, que a busco?!
Gente, Ela tem tudo que busco numa mulher: humor, sorriso lindo, olhos pretinhos, esbugalhados, sensualidade. Ela é muito sensual. Precisa de uma academia, só um pouquinho. Por descuido, deixou a barriguinha um pouco fora de forma.
Eu paguei, faz uns dias, uma tatuagem para Ela. O problema é que não tenho liberdade para dizer isso a Ela. Escolhi o lugar (n'Ela, é claro), a tatuagem. Depois de feita, queria vê-la à mostra, a sós, nós dois, num quarto reservado. Ô, Meu Deus, ajude-me!
Quando chegar a Goiânia (estou em Aquidauana, MS), vou procurá-la pelo olhar. De novo. Sempre pelo olhar. Desconfio de que Ela tem algum caso com alguém. É extraconjugal. Se eu descobrir, vou chorar o resto da vida. Mas são, apenas, suposições. Tenho certeza, não! Mas Ela me deixa com pulgas atrás da orelha.
Bem, vou deixá-la em paz hoje. Preciso vê-la todos os dias. O dia todo, é bom que se diga. As fotos dela já me servem. Pelo menos por enquanto. Ela é tudo que almejo em vida. Se existir possibilidade de vida depois da morte, buscá-la-ei até onde eu puder. Ela será minha. Um dia.
Aquidauana, MS, 27 de novembro de 2007!
Terça-feira!
10h47!
Sem horário de verão por aqui.

terça-feira, agosto 28, 2007

Cansaço

Sinto muito cansaço neste mês. Correria para vender livros (o pessoal numa pendenga desgraçada!). Cheque para cobrir. Gráfica para receber. Bem: estou muito cansado. O motivo da minha ausência. É penoso, mas tem de durar mais um pouco.
Por enquanto, aproveitem para reler alguns textos de que ainda dispõe este blog. Logo, logo, retirá-los-ei. Vou substituí-los por novos. Aí, sim, o bicho vai pegar novamente. É o que tenho a dizer. Obrigado pela compreensão. Ver-nos-emos.

terça-feira, agosto 07, 2007

De volta...

Faz dias que não passo por aqui. O espaço foi abandonado, não! É que estou em meio a lançamentos de meu primeiro livro de crônicas ("Uma gota de sangue em cada palavra"). Estou quase terminando o segundo livro. Agora, técnico: 1000 dicas de redação para concursos públicos e vestibulares. Assim que me desafogar dessas correrias, volto a escrever neste espaço. Talvez, não somente crônicas. Acredito em que publicarei textos teóricos sobre fatos da língua também. Há braços ansiosos.

terça-feira, junho 26, 2007

NOTA EXPLICATIVA

Bem, meus amados leitores, vocês terão alguma surpresa, quando acessarem este blog: deletei as crônicas que farão parte do meu livro "Uma gota de sangue em cada palavra". Conto com a compreensão de todos. Um forte abraço.
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Goiânia, 26 de junho de 2007.
Terça-feira!
15h24!

Infelizmente, cheguei tarde...

Especialmente para a Lolita
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Se eu tivesse chegado cedo, diria que Ela tem um sei-que-lá de Lolita: é linda, atraente, hálito gostoso, parece que saiu de contos de fadas. Daqueles mais picantes, em que a protagonista deixa a gente doido que só!
Se eu tivesse chegado cedo, diria a Ela sobre a minha paixão: que a vejo em todos os lugares por que passo. Que Ela faz parte dos meus sonhos. Ultimamente, tenho sonhado muito com Ela. A noite toda. Suo frio. Acordo atordoado.
Se eu tivesse chegado cedo, diria que gosto do busto d’Ela à mostra. Do charme que só Ela possui, quando cruza as pernas e coloca a mãozinha à frente da saia, para evitar qualquer olhar atrevido, de um bobo qualquer, como eu.
Se eu tivesse chegado cedo, diria sobre a vontade que todas as mulheres têm de ser iguais a Ela. Não duvido de que até mulher se sente atraída, sexualmente falando, por Ela. É muita sensualidade numa pessoa só. Dos dedos às sobrancelhas: tudo é desejo, tudo é carícia.
Se eu tivesse chegado cedo, marcaria um jantar à luz de velas, ao som de Chico Buarque e Tom Jobim, no Cave. Pediria um bom vinho francês e levaria um buquê de rosas para Ela. Ficaria ao lado d´Ela só para ouvi-la, senti-la, absorvê-la.
Se eu tivesse chegado cedo, diria que gosto quando Ela passa batom vermelho, pisca os olhos e pega nas pontas dos cabelos. Fico olhando aquilo sem me dar conta de que o resto do mundo existe. Aliás: o mundo deixa de existir, quando olho nos olhos d´Ela. São, por demais, pecadores!
Se eu tivesse chegado cedo, pediria que Ela tingisse os cabelos de vermelho, usasse roupa preta, colocasse salto alto e sorrisse ao me encontrar embasbacado com a beleza goianíssima d´Ela. Sem dúvida: Ela é a Lolita. Mais ainda: a Lolita que só é minha, porque só eu a tenho assim. Ninguém mais...
Se eu tivesse chegado cedo, diria que Ela, somente Ela, faz-me muitíssimo feliz. Isso, seu eu tivesse chegado cedo... Infelizmente, cheguei tarde.



Goiânia, 26 de junho de 2007.
Terça-feira!
11h42!

sexta-feira, junho 15, 2007

REDEFINI OS ADJUNTOS ADVERBIAIS EM ROCHA LIMA

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1 - Falar da vida alheia: adjunto adverbial de fofoca.
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2 - Morreu de fome: adjunto adverbial de desnutrição.
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3 - Olhou-me de esguelha: adjunto adverbial de bisbilhoteiro.
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4 - O conferencista dissertou sobre febre amarela: adjunto adverbial de doença.
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5 - O sertanejo ficara arruinado com a seca: adjunto adverbial de estiagem.
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6 - Saiu com os amigos: adjunto adverbial de vela.
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7 - Apesar do mau tempo, o avião levantou vôo: adjunto adverbial de irresponsabilidade.
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8 - Acordei ao estampido da explosão: adjunto adverbial de terrorista.
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9 - Ninguém cruzará a fronteira, sem passaporte: adjunto adverbial de legalidade.
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10 - Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: adjunto adverbial de arrependimento.
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11 - Morrer pela pátria: adjunto adverbial de kamikaze.
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12 - Pararam todos à escuta: adjunto adverbial de curioso.
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13 - Quebravam a pedreira com picareta: adjunto adverbial de burrice.
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14 - Sempre fora amigo de viajar a cavalo: adjunto adverbial de pão-duro.
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15 - Costuma falar a altas vozes: adjunto adverbial de professor público.
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16 - Bater-se com o adversário: adjunto adverbial de falta do que fazer.
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17 - Passava dias vendendo jornais velhos, a vintém: adjunto adverbial de pindaíba.
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18 - Escreveu versos aos milhares: adjunto adverbial de preguiçoso.
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19 - O frade jejuava às segundas e quintas-feiras: adjunto adverbial de otário.
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20 - Pisou na grama: adjunto adverbial de mal-educado.

quinta-feira, abril 26, 2007

Alossemia (publicação original na comunidade "Revisores")

Em Fonética, a variação de um mesmo fonema chama-se "alofone". Em Morfologia, a variação de um mesmo morfema chama-se "alomorfe". Em Semântica, eu digo isso na minha tese de doutorado, a variação de um mesmo sema chama-se "alossema".
No caso das preposições, aí é que tudo varia mesmo. Vejam estes exemplos:
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a) Estou à margem do rio.
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b) Estamos na margem do rio.
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c) Vou à busca de investimentos.
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d) Vou em busca de investimentos.
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As preposições "a" e "em" são as que mais variam na Língua Portuguesa (vide Rocha Lima, Gramática Normativa). Por isso, nada mais natural do que "a domicílio" e "em domicílio". Essas duas preposições são irmãs siamesas. Não se espantem com "a cores" e "em cores". O significado é o mesmo.
Claro que muita gente diz que o verbo "entregar" rege a preposição "em". Quem entrega, entrega "em algum lugar" (viram a vírgula entre "entrega/entrega"? Há abonos para ela; não fiquem zangados comigo!). Uma coisa que defendo na minha tese: não existe EXCLUSIVIDADE de regência. O verbo "entregar" rege qualquer TERMO que, com ele, contraia função. Se não (separado mesmo!), vejamos:
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a) Entreguei os pontos.
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b) Entreguei-me de corpo e alma a este amor.
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c) Entregar na porta.
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d) Entregaram-se com voracidade. Fizeram sexo a noite inteira.
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Então, meus caros: a "variação de um mesmo sema" não altera o produto final. Ou seja: o sentido. Bem-vinda a alossemia.
Bem: dito isso, "Composto de" e "Composto por" seguem o mesmo caminho: variação de um mesmo sema.
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Usem e abusem dos dois, sem parcimônia...
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Obs.: Se houver necessidade de discussão, considerem-me disposto a ela. Valeu! Há braços.
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professorcleiton@yahoo.com.br

segunda-feira, abril 09, 2007

10 sugestões de pauta à Revista Piauí para a seção Diário

Ilustríssimo editor da Revista Piauí:
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1 - Convoque o narcotraficante Fernandinho Beira-Mar para que ele indique quais os pontos mais viáveis de tráfico no Rio de Janeiro, explique como montar pontos estratégicos e, a depender da procura, como montar uma franquia de fast-food (maconha, cocaína, crack, merla etc.) em outros Estados.
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2 - Peça ao presidente Lula que relate, aos seus milhões de eleitores, como ganhar uma reeleição, dizimar os opositores e aparelhar o Estado com militantes de esquerda (amiguinhos de Beira-Mar, do MIR-Chileno, das Farc).
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3 - Convide o presidente da empresa de transporte rodoviário Itapemirim a descrever as razões funestas de não oferecer ajuda financeira às vítimas do ônibus incendiado, em 28 de dezembro do ano passado, no Rio de Janeiro, em cuja circunstância se encontrava a modelo Bia Furtado, que mendiga, ao lado do noivo, ajuda para tratamento de queimadura.
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4 - Peça, encarecidamente, ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que ensine, aos não-escolados, como se transformar em criminoso do dia para a noite, incendiar ônibus, atacar policiais e amedrontar a população com ameaças iminentes de ataques terroristas.
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5 - Aceite, também com igual valor, o depoimento de chefes do tráfico carioca, de "líderes comunitários", donos de ONGs de direitos humanos de criminosos, que eles deixem, às claras, que o Comando Vermelho é o melhor caminho para a paz entre as pessoas.
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6 - Registre, com orgulho, os momentos felizes do PT paulista, quando da feitura do dossiê fajuto contra os não menos fajutos políticos do PSDB na última eleição presidencial. Deve render uma história e tanto!
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7 - Mostre ao Brasil, como fez Glória Perez na minissérie (?) Amazônia, que os esquerdistas são bonzinhos e o mal está nos não-esquerdistas. Que Chico Mendes é o Cristo Redentor da Amazônia. Que ele virá, algum dia, sobre nuvens, em busca das almas puras e castas. Sugestão para o relato: José Dirceu.
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8 - Exija, do presidente Evo Morales, um diário completo sobre o golpe que aplicou ao Brasil, com afagos do presidente Lula, confiscando bens da Petrobras, em nome da "causa socialista". Esse depoimento vai ser aguardado por milhões de brasileiros. A revista vai vender extraordinariamente demais.
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9 - Aproveite o ensejo e publique o diário de Hugo Chavéz, o maior blefador das Américas, o maior estelionatário da atualidade e o mais picareta dos esquerdistas no poder. Se bem que esquerdista picareta configura algo redundante.
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10 - Por último, faça um diário coletivo da Piauí, no qual os jornalistas responsáveis pela seção que publicou o texto da, como diria o Pablo na comunidade Revisores, devassa, estelionatária, puta, vadia chamada Maria Lopes possam opinar sobre a irresponsabilidade que lhes é peculiar. Peça aos jornalistas que justifiquem tamanho desserviço à população.
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Atenciosamente,
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Prof. Cleiton dos Santos Pereira
Goiânia, 9 de abril de 2007.

domingo, abril 08, 2007

Sobre o código de ética da Gramática e da Lingüística

Devemos encarar a gramática como um código de ética. Se violado, haverá punições. Por isso, ao lado das Ciências Sociais (descritivas), há o Direito (prescritivo). Ambos se complementam. Na língua, não é diferente. Observem:
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a) Gramática (prescritiva)
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b) Lingüística (descritiva)
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O princípio é o mesmo: o código de ética. Por favor, não confundam alhos com bugalhos. Quando digo ética, refiro-me ao princípio legal de convivência. É bom lembrar que nem tudo que é legal é legítimo.
A gramática normativa estipula valores que, nem sempre, vão ao encontro da realidade da língua. Nem por isso, devemos extingui-la, tampouco ignorá-la. Basta que se observe como nos expressamos aqui na comunidade. Qualquer vacilo gramatical transforma-se em xingamentos, discussões, apedrejamentos.
A Lingüística cumpre o papel de monitora; a gramática, de executora. Como isso funciona:
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a) A par de dados lingüísticos, a Lingüística descreve os usos e evidencia por que motivo determinadas expressões tomam rumos diferentes dos rumos canônicos. Por isso, monitora o uso mediante análise científica.
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b) A gramática executa, a seu modo (ainda que lentamente),as descobertas da Lingüística. O maior exemplo é a gramática do Bechara, de orientação mais descritiva do que prescritiva.
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Claro que não sou louco para dizer que essa harmonia seja evidente. Há muita controvérsia. Muita briga. Mas o que permite haver incoerência na descrição da língua é o embate entre Gramática e Lingüística (do ponto de vista da observação). Embate, diga-se, a propósito, sempre bem-vindo. É por aí. Bração pr´ocês.
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professorcleiton@yahoo.com.br

sexta-feira, março 16, 2007

Carta à diretora da escola em que minha afilhada estuda

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À ILMA. DIRETORA DA ESCOLA EVANGÉLICA GÊNESIS

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Goiânia, 16 de março de 2007.

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Ilustríssima Diretora:

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É com muito pesar que eu, Cleiton dos Santos Pereira, tio da aluna Brenda Mariana, venho expor-lhe o que se segue:

1 – Desde quando criança com 8 anos (é o caso da Brenda) estuda ditongo, tritongo, hiato, substantivos coletivos, sem antes dominar, o mínimo possível, de escrita e de leitura?! Hoje, infelizmente, tive o desprazer de auxiliá-la nessa tarefa tediosa, massacrante e covarde (o caderno de exercícios dela é prova cabal do digo).
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2 – A minha sobrinha apresentou-me um livro, cujo título é Português – Linguagens, da 2ª série, 3º ano, dos autores William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, que, segundo ela e a minha mãe, a escola adota para o ano letivo. Veja que absurdo: o exercício “para casa” aborda temas que não constam do referido livro. Espere aí: o aluno é obrigado a comprar o livro no início do ano para não o usar?! Ou a Escola Evangélica Gênesis trabalha com o sobrenatural: o aluno adota um livro; o professor, outro?!
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3 – Qual a formação do professor de Português de sua escola?! Tem graduação?! Não tem?! Se não tem, como acreditar na qualidade das aulas?! Para chegar a esse descalabro didático, não acredito em que o professor da Brenda tenha noções de concepção de língua, de linguagem e de ensino de Português.
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4 – A Brenda não apresenta, em nenhum momento, sinais de aprendizagem. Não quero ser leviano, pois muitos alunos sentem mais dificuldades do que outros. Mas, no caso dela, é a maneira como estão sendo conduzidas as aulas. A Escola Evangélica Gênesis precisa, urgentemente, rever o seu projeto pedagógico. Senão, vocês vão matar muitas mentes brilhantes, de crianças que se tornam vítimas de um ensino pernicioso, equivocado e, principalmente, surrealista de Português.
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5 – Sugiro que a Ilustríssima Diretora chame, ao particular, os pais da Brenda, a própria Brenda e o professor/a de Português. A minha ignorância não me permite opinar sobre as outras matérias. Mas, se seguirem a trilha de Língua Portuguesa, está decretado o fim da minha querida afilhada.
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Atenciosamente:


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Cleiton dos Santos Pereira
Mestre em Letras pela UFG
Professor do programa de pós-graduação da Universidade Salgado de Oliveira.

quarta-feira, março 07, 2007

Aos meus pares

De Augusto dos Anjos para todos os amantes dos momentos etílicos. Brindemos a nós próprios.

O Ébrio
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Bebi! Mas sei por que bebi!... Buscava
Em verdes nuanças de miragens, ver
Se nesta ânsia suprema de beber,
Achava a Glória que ninguém achava!
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E todo o dia então eu me embriagava
- Novo Sileno, - em busca de ascender
A essa Babel fictícia do Prazer
Que procuravam e que eu procurava.
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Trás de mim, na atra estrada que trilhei,
Quantos também, quantos também deixei,
Mas eu não contarei nunca a ninguém.
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A ninguém nunca eu contarei a história
Dos que, como eu, foram buscar a Glória
E que, como eu, irão morrer também.

https://youtu.be/dohtWcFOkMw

Um pitadinha de alossemia (da comunidade Revisores)

Em Fonética, a variação de um mesmo fonema chama-se "alofone". Em Morfologia, a variação de um mesmo morfema chama-se "alomorfe". Em Semântica, eu digo isso na minha tese de doutorado, a variação de um mesmo sema chama-se alossema.
No caso das preposições, aí é que tudo varia mesmo. Vejam estes exemplos:
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a) Estou à margem do rio.
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b) Estamos na margem do rio.
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c) Vou à busca de investimentos.
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d) Vou em busca de investimentos.
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As preposições "a" e "em" são as que mais variam na Língua Portuguesa. Por isso, nada mais natural do que "a domicílio" e "em domicílio". Essas duas preposições são irmãs siamesas. Não se espantem com "a cores" e "em cores". O significado é o mesmo. Claro que muita gente diz que o verbo "entregar" rege a preposição "em". Quem entrega, entrega "em algum lugar" (viram a vírgula entre "entrega/entrega"? Há abonos para ela; não fiquem zangados comigo).
Uma coisa que defendo na minha tese: não existe exclusividade de regência. O verbo "entregar" rege qualquer preposição que, com ele, contraia função. Se não (separado mesmo!), vejamos:
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a) Entreguei os pontos.
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b) Entreguei-me de corpo e alma neste amor
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c) Entregar na porta.
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d) Entregaram-se com voracidade. Fizeram sexo a noite inteira.
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Então, meus caros: a variação de um mesmo sema não altera o produto final. Ou seja: o sentido. Bem-vinda a alossemia. Bem: dito isso, "Composto de" e "Composto por" seguem o mesmo caminho: variação de um mesmo sema.
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Obs.: Se houver necessidade de discussão, considerem-me disposto a ela. Valeu! Há braços.
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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

OUTRA VERDADE SOBRE O CRIME

No ano passado, em um de seus programas, a humorista Cláudia Rodrigues, em situação de assalto, perguntou ao criminoso, em tom jocoso, mas, no fundo, bem irônico:
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- Você rouba, porque nunca teve chance ou, quando teve chance, estava roubando?
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Há muito, cientistas norte-americanos (li, no ano passado, na Veja, uma matéria genial) discordam da tese da "exclusão social". Para eles, muitos criminosos trazem o gene do crime como fator preponderante na prática de delitos.
Em pesquisas de campo, os cientistas descobriram que pais criminosos repassavam aos filhos esses genes. Dou um exemplo próprio: cresci em bairro de periferia, convivi com pessoas da mesma classe social a que eu pertencia. No entanto, uns escolheram o caminho do Bem; outros, o do Mal. Por quê? Porque, desde crianças, queriam passar a perna nos colegas, batiam em crianças menores, impunham as leis por meio da intimidação violenta. Enfim, traziam a maldade no sangue.
Temos de nos unir e impor a vontade da maioria esmagadora da população brasileira. Afinal, democracia é pré-requisito para a civilidade. Nós, que somos conscientes e honestos, não podemos ficar à merce de igrejas, promotores, defensores de direitos humanos de bandidos, esquerdistas, quadrilhas organizadas sob o nome pomposo de ONG, que restringem a nossa liberdade em nome da liberdade perversa da cabeça deles.
Por isso, mais do que justo, é chegada a hora da Justiça! A mesma que tirou Nova Iorque do caos urbano, punindo e mandando para o espaço bandidos cruéis. Viva a democracia! Vivamos nós!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Desmentindo absurdos gramaticais sobre pleonasmo vicioso

1 - "Ganhar grátis. (Alguém ganha pagando?)"
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Análise: fato corriqueiro na língua, a polissemia perpassa todas as classes de palavra. Não fosse assim, o verbo "dar" não teria aquela infinidade de significados registrados em dicionários, como o velho e indivisível Aurelião. "Ganhar grátis", além do valor pragmático, constitui, sintaticamente, o que se entende por lexia. Consultem o livro Morfossintaxe, de Flávia de Barros Carone, Ática, 1989.
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2 - "Se suicidou (Alguém já suicidou outra pessoa?)"
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Análise: já mencionaram aqui na página sobre o abono que o verbo ganhou não só em gramáticas como em dicionários... Além disso, é extremamente audível a pronúncia...
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3 - "Habitat natural. (Todo habitat é natural; consulte um dicionário.)"
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Análise: Se alguém tiver a crueldade de aprisionar um pássaro em gaiola, saiba que ele não estará, sem dúvida alguma, no "habitat natural". Estará, sim, no "habitat artificial".
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4 - "Prefeitura Municipal. (No Brasil, só existe prefeitura nos municípios.Aliás,ainda bem!)"
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Análise: esta já foi solucionada também: as universidades têm prefeituras. Portanto, "prefeitura municipal" não é, nunca foi e nem será redundância.
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5 - "Conviver junto. (É possível conviver separadamente?)"
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Análise: "Conviver" não tem apenas o sentido de presença física. Se assim o fosse, "conviver em sociedade" seria, no mínimo, grotesco: como seria possível reunir tantas pessoas ao mesmo tempo? "Conviver junto", aí, sim, é conviver em presença física. Convivo junto com os meus filhos, com a minha esposa, com os meus alunos na sala de aula. Infelizmente, convivo com o presidente Lula, somos do mesmo país. Felizmente, não "convivo junto". Granja do Torto, nem no sonho...
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6 - "Sua autobiografia. (Se é autobiografia, já é sua.)"
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Análise: Esta é mole: Vejam esta pergunta: "Esta autobiografia é sua ou de seu irmão?". Ou seja: contextualizem-na, por gentileza!
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7 - "Sorriso nos lábios. (Já viu sorriso no umbigo?)"
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Análise: Por acaso, Machado de Assis faz ou não faz as personagens sorrirem com os olhos? Ou será que os "Olhos de Ressaca", de Capitu, eram, na verdade, a boca? Continuemos...
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8 - "Países do mundo. (E de onde mais podem ser os países?)"
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Análise: Meus queridos: Há ou não diferença entre, por exemplo, "países do mundo" e " países baixos". Ou seja: o adjunto adnominal restringe o núcleo "país". Aqui, nos "país tropical", há muita e muita coisa para ser feita...
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9 - "Criar novos empregos. (Ora, bolas, alguém consegue criar algo velho?)"
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Análise: Novamente, o verbo "criar" é polissêmico. Significa "gerar". E não venham me dizer para substituí-lo. A expressão ganhou valor pragmático. Em Lingüística, chama-se lexia.
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10 - "General do Exército. (Só existem generais no Exército)"
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Análise: Meus caros: existem "General-de-Divisão Combatente", "General-de-Brigada Intendente". Ou seja: os dois postos podem ser preenchidos por alguém que se transforme em "general do Exército". Qual o problema? Nenhum.
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11 - "Brigadeiro da Aeronáutica. (Só existem brigadeiros na Aeronáutica.)"
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Análise: Isolar palavras e expressões para justificar determinado argumento não é muito a minha praia. Sinceramente, se eu disser "O brigadeiro da Aeronáutica argentina", já elimino qualquer possibilidade de isolamento lingüístico para a expressão "brigadeiro da Aeronáutica". Além disse, há o Brigadeiro-do-Ar. Não deixa de ser "brigadeiro da Aeronáutica".
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12 - "Almirante da Marinha. (Só existem almirantes na Marinha.)"
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Análise: Vejam: existem, por exemplo, Almirante-de-Esquadra e Contra-Almirante. Ou seja: quem ocupar um desses cargos é e sempre será almirante da Marinha. Simples..
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13 - "Exultar de alegria. (Você consegue exultar de tristeza?)"
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Análise: É claro que é póssível: ou a Língua Portuguesa aboliu as figuras de linguagem? "Minha alegria é triste". Roberto Carlos já sabia disso antes de muita gente...
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14 - Labaredas de fogo. (De que mais as labaredas poderiam ser? De água?!)
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Análise: Ledo e Ivo engano. Leiam esta afirmação: "As labaredas solares são explosões incríveis que ejetam grandes quantidades de partículas e energia eletromagnética através de um largo espectro de freqüências". Labaredas podem ser explosões. Explosões, apesar do calor, nem sempre são sinônimos de "chama". Fácil, não?!
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15 - Pequenos detalhes. (Existem grandes detalhes?)
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Análise: Existem! Quem tiver conhecimento mínimo de roteiro audiovisual sabe que close é uma coisa; superclose, outra. Um tem pequeno detalhe; outro, detalhe maior. Simples demais...
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16 - "Erário público. (O dicionário ensina que erário é o tesouro público, por isso, erário só basta!)"
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Análise: Por força da expressão (o uso sistemático dela prova isso), temos mais um caso de lexia. Consultem Morfossintaxe, de Flávia de Barros Carone.
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17 - "Despesas com gastos. (Despesas e gastos são sinônimos!)"
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Análise: Não são! "Gasto" se tornou objeto específico: carro, alimento, viagens etc. "Despesa" pode ser cara, barata, ou mais ou menos.
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18 - "Encarar de frente. (Você conhece alguém que encara de costas ou de lado?)"
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Análise: "Encarar de frente" significa "não fugir da realidade", "ter coragem de falar com alguém", "encarar o problema sem ajuda de outrem". O que há de redundante nisso? Nada.
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19 - "Monopólio exclusivo. (Ora, pílulas, se é monopólio, já é total ou exclusivo…)"
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Análise: Mentira! A Ambev mantém monopólio exclusivo no ramo da cervejaria. A mais próxima, Schin, não dispõe dessa exclusividade. Em compensação, na última feira agropecuária de Goiânia (a melhor do Brasil; Barretos que me desculpe!), o monopólio foi exclusivo da Nova Schin.
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20 - "Planos ou projetos para o futuro. (Você conhece alguém que faz planos para o passado? se for o Michael J. Fox no filme “De volta para o Futuro”.)"
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Análise: Conheço um monte: técnicos de futebol, por exemplo. Ao tomarem gol, planejam estratégia para o momento. Ou seja: para o presente.
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21 - "Viúva do falecido. (Até prova em contrário, não pode haver viúva se não houver um falecido)"
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Análise: Se a palavra "falecido" aparece, sempre será como substitutivo. Vejam este exemplo: "Lá vem a viúva do falecido...". É o mesmo se disséssemos: "Lá vem a viúva do dito-cujo", "Lá vem a viúva do famigerado". "Falecido" substitui o nome do morto. Fácil, fácil...
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22 - "Manter o mesmo time. (Pode-se manter outro time? Nem o Felipão consegue!)"

Análise: Santa Ignorância! Se substituo um jogador no intervalo, já não tenho o "mesmo time". Ou seja: não mantive o "mesmo time" no segundo tempo.
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23 - Ao telefone: “fulano não se encontra neste momento” (pq ele se perdeu?)
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Análise: Quando digo: "Meu pai se encontra ocupado lá na loja de calçados". O verbo está no presente; porém, meu pai não está de corpo presente. Quando digo: "Meu pai não se encontra neste momento", quero dizer: não se encontra neste momento aqui. A interpretação é espacial. Nada mais do que isso.
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24 - "outra alternativa"
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Análise: Uma atendente de agência de viagem me diz que há três alternativas de vôos para amanhã:
a) Curitiba
b) Brasília
c) São Paulo
Eu pergunto: não há outra alternativa? Se houver, entrará na opção "d". De onde tiraram a idéia de que "outra alternativa" é redundância? Se eu trocasse por "próxima alternativa", seria a mesma coisa...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Sujeitos fenomenológico e sintático

Em AD, nem sempre são tênues as fronteiras entre o que é semântico e o que é gramatical. Por exemplo:
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a) Efigênia, feche a porta!
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b) Efigênia fecha a porta.
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A diferença entre as duas sentenças recai sobre a marcação do vocativo (em a) e do sujeito sintático (em b). A GT não dá conta da classificação de "Efigênia" no plano semântico. O que problematiza a noção de sujeito. Ou seja: se o primeiro critério para identificá-lo é o da concordância (se mudarmos a sentença para: "Efigênia e Vívian, fechem a porta!", perceberemos isso), conforme se vê nesse exemplo, como analisá-lo à luz da AD?! Bem: já entramos numa seara movediça. O sujeito discursivo não necessariamente é o sujeito sintático. Vejamos abaixo:
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- Ontem, Carlos almoçou em casa. Depois disso, não se viu mais o paradeiro dele.
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Claramente, o sujeito sintático é "Carlos", na primeira oração. Na segunda, é a voz discursiva do narrador. Ou seja: ele é sujeito discursivo, mesmo sem presença sintática no enunciado. À luz da AD cleitiana (é minha mesmo!), poderíamos dizer que a força ilocucionária do discurso funciona em duas instâncias:
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a) Instância fenomenológica.
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b) Instância sintática.
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Qual o valor de cada uma? Bem: a primeira preenche o espaço do ente; a segunda, do léxico. Se não, veja-se:
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a) Alguém bateu à porta (o fato foi consumado: houve instâncias fenomenológica e sintática).
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b) Ninguém bateu à porta (o fato não foi consumado; por isso, só houve preenchimento da instância sintática, ou seja, a lexical: "ninguém").
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A par dessas informações, em "Há pessoas", temos dois sujeitos:
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a) O fenomenológico ("pessoas").
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b) O morfossintático (primeira pessoa do presente do indicativo do verbo "haver").
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Pela GT, "pessoas" é apenas objeto direto. Pela minha pesquisa, "pessoas" passa a sujeito fenomenológico, razão por que muita gente boa dizer/escrever: "Haviam pessoas". A concordância, como se vê, guarda relação com o sujeito fenomenológico. Se há pessoas, é porque elas existem fenomenologicamente. Daí, a troca predicaticativa: o verbo haver é, ele próprio, existir. Por isso, a concordância "haviam pessoas". Por hoje é só, pessoal. Fui.
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