quinta-feira, outubro 18, 2012

O IGOR NOS DEIXOU ÓRFÃOS

Para o meu primo morto ontem em Brasília

      Ontem, foi confirmada a morte do meu primo, o Igor. Em Brasília. Os órgãos pararam. O cérebro resistiu, o máximo que pôde, durante uns quatro dias. Houve, como se conhece no meio médico, morte cerebral antes de tudo. O Igor era escoteiro. Era mais parecido com o Tio Paulo. Era mais da família nossa (física e espiritualmente falando). Parecia, em pele e osso, com o Tio Paulo.
      O irmão dele, o Henrique, é mais da família da mãe. É mais candango do que o Igor. Por isso mesmo, o Igor carregava a malícia da família Pereira. Era muito alegre. Muito divertido. Gostava de fazer sacanagens com os outros. Principalmente, com o Henrique. Sacanagens de boa índole. Coisas da família Pereira. Eu poderia procurar razões para a morte repentina de um menino tão moço, tão jovem (tinha apenas 15 anos). Mas é inevitável que eu faça algumas perguntas a Deus:

      1 - Por que, Senhor Maior, a vida parece ser mais curta para algumas pessoas?!

      2 - O Igor, por ser muito menino ainda, estaria fazendo falta no Céu?!

      3 - É possível ser escoteiro ao lado dos Anjos?!

      4 - O Senhor poderia, na próxima vez em que levar alguém que amo, avisar-me com, pelo menos, 50 anos de antecedência?!

      5 - Por último, o Senhor tem noção do quanto ficamos órfãos?!

      Pois bem: mesmo que insista em perguntas vãs ao Criador, a resposta não está em mim, tampouco nos acontecimentos. Está no risco do bordado. Na rede de retalhos. No andar da carroagem. Enfim: no inexplicável. Deus, no fundo, antecipa algo que já é do conhecimento d'Ele. Não do nosso. Caso contrário, estaríamos com o Igor até agora.
      Eu pensei que o veria por muitos e muitos anos. Em dezembro passado, na festa de Natal, em minha casa, vi o Igor e suas travessuras. Sempre, com o sorriso no rosto. Eu disse SEMPRE. Quando chorava, era para sacanear alguém. Principalmente, o Henrique. A Rosa, mãe dele, já conhecia o filho mala que tinha, não caía nos golpes dele. Sabia, timtim por timtim, os passos dos golpes do Igor.
      Certa vez, a Rosa me disse que o Igor fazia escândalos com pequenas atrapalhadas, como se estivesse em perigo de vida. Qualquer coisinha que ocorresse com ele (de um tropeção a uma mordida na língua) era motivo para ir ao hospital. Infelizmente, nesta semana, ele não saiu, espiritualmente, do hospital. Apenas o corpo foi conduzido ao funesto caminho do cemitério. É muito triste tudo isso...
      Aos pais, a dor é indiscutivelmente inapagável. Eu disse a DOR. O AMOR, pelo contrário, é eterno. Como eterna é a nossa admiração pelo Igor. Repito: pelas sacangens do Igor. Pelas imitações que eu e ele fazíamos do Tio Paulo (à ausência deste). Da primeira vez em que vi As Branquelas, o Igor, o Henrique e eu morríamos de rir daquela comédia pastelão. Rimos, até morrer, das cenas de O Justiceiro, em que o protagonista enfia uma faca na bunda de um bandido. Repetíamos a cena (o Igor, o Henrique e eu) à exaustão. Recordações indeléveis...
      Tio Paulo, Rosa e familiares de Brasília, sei que o Igor fará mais falta a vocês do que aos Pereira. Porque ele era, fisicamente falando, mais do DF do que de Goiânia. Mas eu digo com toda a certeza do mundo: ele foi muito meu também. Eu fui de Brasília por alguns anos. Ficava na casa do Tio Paulo, no cômodo do fundo. Fazíamos algazarra todos os dias. A propósito, comprei um violão e presenteei o Igor e o Henrique. Da última vez em que estive em Ceilândia, o Igor já arranhava alguns acordes. Sei que ele vai continuar tocando as melodias do amor ao lado de Deus.
      Igor, estamos órfãos. Estamos muito tristes. Estamos sem rumo. Por enquanto, não temos nada a dizer sobre a sua ida repentina. Estamos muito perplexos. Estamos indignados com a vida. Mas nunca estaremos tristes de verdade. Porque a sua alegria foi a mais sincera do mundo. Deus há de recebê-lo muito feliz. Deus ficou alegre com a sua ida, apesar de ter deixado tristes muitos de nós.
      Em nome da família Pereira, descanse o sono verdadeiro das crianças. Aí no Céu, as crianças continuam crianças. Você sempre será o escoteiro preferido do Tio Paulo, da Rosa, do Henrique. E, se não for pretensão da minha parte, será o meu eterno escoteiro. Muita paz em sua nova morada.

Até mais tarde, Igor!

Goiânia, 18 de outubro de 2012!
Quinta-feira!
7h45!
Muita dor.

segunda-feira, outubro 01, 2012

CACHORRO TAMBÉM É GENTE!

Meu melhor amigo não é um cachorro (caninamente falando). Mas podia ser. Como se sabe, cachorros não abandonam o dono em razão de mudança de casa. Se for casebre ou mansão, prevalece o amor pelo dono. Gatos, ao contrário, são safados! Se o dono resolve mudar de residência, o problema não é, na visão felina, do gato. E, sim, do dono.
Perdi o meu companheiro neste ano. Era o Scooby-Loo. Tímido. Porém, era mais da rua do que do lar. Aprendeu a sair pelo portão em disparada. Numa dessas, morreu do jeito que imaginei: atropelado (quem sai em disparada, quase sempre, morre atropelado!). Ele morava na casa da minha mãe. Quando me mudei para a minha própria casa, o coitado ficou órfão de mim. Eu, dele. E carros não perdoam cachorros. Matam-nos cruelmente! Sinto muita saudade do Scooby-Loo.
No dia em que foi atropelado, eu estava lendo alguma coisa no meu quarto. De repente, caiu um pedaço de não-sei-quê na minha sala, fez um estrondo terrível. Depois que fiquei sabendo da morte do meu amigo, o horário do estrondo coincidiu com o atropelamento.
Bem que eu podia tê-lo sabido mais. A mãe dele está vivíssima da silva. É sem-vergonha. Sai com qualquer um. Aliás, as cachorras costumam sair com qualquer um. O Scooby-Loo foi criado com a cadela que mora na casa da minha mãe. O nome dela é uma sacanagem que inventei: Bocoa. Não tente entender o nome. Como disse, é apenas sacanagem.
A Bocoa é tímida, tem mágoa (principalmente, se alguém aplicar-lhe algum tipo de vacina ou mesmo resolver dar um banho nela sem consentimento). O Scooby-Loo herdou todas as qualidades da Bocoa. Mas, com o tempo, adquiriu o pior ponto da índole da mãe dele: a promiscuidade da rua. Lembro-me que o Scooby-Loo começou a andar com as cachorras, com os viciados, enfim, com a marginália. Acredito que tenha sido aí que ele conheceu (sabe-se lá) a pedra de craque. O Scooby-Loo, de tão humano, acabou adquirindo a perversidade humana das ruas.
Sempre acreditei que haveria um Céu para os humanos e um Céu para os animais. Para os cachorros, imaginava um Céu só deles. De vez em quando, acho que o Scooby-Loo está lá, azarando a mulherada, digo, a cachorrada. Eita Scooby que era traquino! Malandro. Rueiro. Era gente que só.. Scooby-Loo, perdão por eu não ter escrito isso antes... É que o instinto humano é muito pior do que o dos cachorros.
Scooby-Loo, cachorro também é gente. E você era o meu melhor amigo... Au Au pra você também!

quarta-feira, setembro 26, 2012

UM DIA DE CÃO

Acordei meio com a pá virada! Decidi jogar bosta no ventilador. Dar nome aos bois. Delatar os miseráveis. Explodir os mensaleiros. Pôr as asinhas de fora. Mandar ao Inferno os petralheiros. Conduzir, com mãos de ferro, a reforma do Código Penal. Enfim: chutar o pau da barraca!
Acordei, também, com o sorriso no rosto. Com as mãos vazias. Com o GRANDE AMOR no peito. Com a dor do defeito. Com os olhos ensanguentados. Despedaçados. Entregues ao sorriso. Com dor de cotovelo. Meio a meio. Mano a mano. Firulas na voz.
Acordei, depois de um sono breve, com gastrite. O TGO alterado. O TGP condenado. O Gama-GT falido. O fígado à míngua. A Lolita enfurecida. O calor já achincalhado. O suor do medo elevado. E as estalactites da caverna.
Acordei pelado. Trepado. Com a .40 à mão. Lambuzado de fêmea. Atortoado pelo cinema. As narinas pegando fogo. A sensação terrível de estar morto. Muita palavra seca na garganta. Se eu resolver, grito em alto e bom som: MORRI. De raiva de mim (sempre de mim!).
Acordei agora há pouco. Escrevi que estava louco. Decidi que morreria. De agonia. De tétano. De cirrose. Mas o álcool me acolhe de um sentimento que me vilipendia. Porém, gosto de tudo. D'Ela (principalmente d'Ela!). Do GRANDE AMOR. Da delícia de tê-la, absorvê-la, digeri-la, acordá-la. Entrar-lhe, por completo, nas entranhas. Nas vergonhas. Nas genitálias.
Acordei para a vida. Para o sono. Para a dor. Acordei, novamente, para a tortura. Para o sofrimento. Para aquilo que vem de dentro. Para o resto que fica de fora. Acordei, outrossim, porque sempre quis ser assim. Impulsivo. Afoito. Atrapalhado. Amado. Odiado. Destemido. Compulsivo. Alcoólatra. Cirrótico. Atrofiado. Esquisito. Adormecido. E, antes de tudo, APAIXONADO.

terça-feira, setembro 25, 2012

LOLITA: O GRANDE AMOR

Em vida, temos de escolher muitas coisas, sobretudo as que mais marcam os nossos caminhos diários. Dos pontos mais evidentes de uma existência, está o GRANDE AMOR. Ele vem de formas variadas, mas ficam de uma forma só: para sempre.
Tenho entrado em conflito cotidiano, pois me vi inteiramente envolvido pelo GRANDE AMOR. Às vezes, penso que pode ser uma coisa simples; depois, vejo que não é. Mas de uma coisa tenho certeza: busco-o assim que acordo, depois que me deito, ao respirar.
Falo do GRANDE AMOR matrimonial. Porque o GRANDE AMOR da minha vida é o meu filho. Falo do GRANDE AMOR sexual, romântico, de sangue, de gozo. Desse GRANDE AMOR que nos arrasta moço, sem ter visto a vida. Falo da Lolita. Só dela.
Recupero a escrita do Blog, em razão de ter visto, em vida, a Lolita. Ela perturba o meu sono. Ela está sempre, quando estou nunca. Ela está agora, quando fico depois. Enfim: ela trança a minha existência de tal maneira que me surpreendo à exaustão com as artimanhas d'Ela. Surpreendo-me com a minha impotência. Tê-la ali parece tão fácil. Esquecê-la é que é difícil.
De uma coisa estou certo: a Lolita entendeu, de uma vez por todas, que a amo. Ela é o GRANDE AMOR da minha vida. Tê-la pode ser uma questão de tempo. Mas é o tempo do Amor, avesso às regras do tempo cronológico. É o tempo da paixão recolhida. Recolhida, diga-se, por ser muito perigoso evidenciá-la. Se bem que, pelo meu temperamento etílico, posso revelar o GRANDE AMOR  a qualquer momento.
Trocando em miúdos: a Lolita jamais vai se esquecer de tudo o que lhe disse. Ela verá que o GRANDE AMOR é bem maior do que o Amor que se constrói do dia para a noite. Ele precisa de, pelo menos, 10 anos para se formalizar, chegar à plenitude e, sem mais nem menos, EXPLODIR dentro do peito. Lolita, o GRANDE AMOR  da minha vida. É isso.

terça-feira, setembro 11, 2012

Em breve, lanço o meu prmeiro CD (Movimento Humano)

Acredito que, no mês que vem, faço o lançamento do meu primeiro CD, chamado Movimento Humano. Mesclei samba, bossa-nova, reggae, blues, tango. Há um misto bem bacana. Vou divulgar uma música aqui e conto com a apreciação de todos os que me leem. Grande abraço. Até a próxima!