terça-feira, agosto 08, 2006

Perversos e pervertidos (RESENHA)

Com Cazuza, o tempo não pára, a elite carioca global se consolida, de vez, como a maior produtora de lixos e porcarias audiovisuais



Não é de hoje que a elite carioca insiste em ditar modas no Brasil (das pornochanchadas à novela Dancing Days, tudo é imitável). Reconheço que, nesse quesito, ela é campeã. As novelas da Globo provam-no. A cada folhetim, novas manias, novos penteados, novos modelos de roupa. Do figurino ao modo de rir, o Brasil se encanta com as caras e as bocas da classe média da cidade maravilhosa (?).
Veja-se Páginas da Vida: o Rio de Janeiro com que todo mundo sonha. Ocorre que aquele Leblon é tão verdadeiro quanto a inocência cretina do presidente Lula diante da corrupção instaurada pelo PT em Brasília. Manoel Carlos, o autor da novela, morador antigo do bairro, abrilhanta o que parecia impossível: o caos urbano dos morros, com suas mortes, suas perversidades (aos olhos do turista, o Rio é uma Paris do século XXI).
Fiquemos com essa pequena introdução, para começarmos a discutir o filme Cazuza, o tempo não pára (Brasil, 2004), que será exibido na próxima quarta-feira pela Globo. A primeira pergunta que me faço: por que o Ministério da Cultura (cujo ministro é tão importante quanto as areias movediças do pantanal sul-mato-grossense) consegue financiar tantas desgraças culturais, sem se dar conta (ou fingir que não dá) do crime que aplica à nação brasileira? Talvez eu esteja enganado: o golpe do financiamento público já venha de outras épocas...
A Globo Filmes, uma das produtoras, depois que entrou no mercado fílmico, angariou toda a máfia possível na aprovação de projetos chulos como o filme em questão. Cazuza, o compositor, não tem mérito algum para ganhar película em seu nome. Ele foi, na minha opinião, quando muito, um letristazinho de quinta categoria. Em suma: um burguezinho carioca sem rumo, que se alimentava dos pais com sonhos e desilusões de quem tem muito dinheiro para gastar à toa.
O filme é, ele todo, medíocre. A história é de uma futilidade desmedida. E aí me faço a segunda pergunta: de que vale a vidinha gay de Cazuza, erigida como exemplo de moral e heroísmo? A sociedade brasileira não tem a obrigação de financiar a trajetória de um veadinho drogado, só porque os baluartes da Globo acreditam que Cazuza foi o Fernando Pessoa da década de 80 (é bom que se diga que o movimento gay cresce, espantosamente, na imprensa brasileira: vide o Diário da Manhã, em Goiânia).
Os diretores Sandra Werneck e Walter Carvalho (aquela, insossa; este, sem açúcar e sem afeto!), a cara e a coroa da boçalidade carioca (se eles têm ou não têm mérito, recuso-me a evidenciá-lo), conseguiram o que todo diretor não gostaria de conseguir: fazer um filme ridículo, com cenas descabidas, e, ainda sim, ganhar destaque na imprensa pela glória que não tiveram.
Daniel de Oliveira (o gay), digo, o Cazuza, incorporou de tal maneira os tiques cazuzianos (permitam-me a tirada!), que não hesito em dizer que, depois das filmagens, ele deve ter queimado a rosca por aí. Era real demais para ser fingimento...
Marieta Severo, a Lucinha Araújo (mãe de Cazuza), era em gênero, número e caso a Nenê, de A Grande Família: os mesmos gestos, os mesmos trejeitos. Reginaldo Faria, o João Araújo (pai de Cazuza), era sem pôr e sem tirar o Doutor Fontes, de Sinhá Moça: o mesmo jeito de olhar, de falar, de gesticular. Em suma: fizeram jus à porcaria que é Cazuza, o tempo não pára.
Pode ser que eu tenha exagerado um pouco. Mas o meu dinheiro não é capim, tampouco bosta de fossa, para que o Ministério da Cultura financie as merdas intelectuais da elite carioca, desvirtuando, de forma desproporcional, o caminho inteligente que eleve a moral da juventude e enalteça pessoas sérias, que sirvam de exemplo aos nossos filhos, à nossa família, à nossa geração.
Cazuza não foi e nem será exemplo de nada. Aliás: ele deve ser o exemplo a não ser seguido pela juventude que o reverencia, vítima que é da imagem distorcida que a Globo cria na cabeça das pessoas por meio da mídia. Senhor ministro Gilberto Gil, faça-me o favor! Rede Globo, vá para o Diabo que a carregue!

professorcleiton@yahoo.com.br

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