quarta-feira, outubro 11, 2006

A morte de Renato Russo e os meus 10 anos de Jornalismo


“É tão estranho / Os bons morrem jovens / Assim parece ser / Quando me lembro de você/ Que acabou indo embora cedo demais...” (Renato Russo)

Bem no ano em que ingressei no Jornalismo (1996), Renato Russo partiu desta para melhor. Comecei no jornal Ponto de Vista como resenhador de livros de literatura indicados para o vestibular da UFG.
Depois que o Fleurymar (evoé, meu amigo!) contratou o editor Pinheiro Salles, tudo mudou. Tive de fazer reportagens sobre cultura, com convencimento de jornalista profissional. Ocorre que, naquele ano, eu cursava o 3º ano de Letras na UFG. Não vinha, como muitos, do curso de Jornalismo. Minha experiência se limitava à leitura sistemática de jornais e revistas. E de livros sobre Jornalismo (Linguagem jornalística, de Nilson Lage, por exemplo).
Confesso que minha escrita era muito irregular, porque na faculdade não se escreve com regularidade. Meus professores não eram um bom exemplo a se seguir. Minto: tive dois (Laércio e Vítor Hugo) que me ensinaram que o professor de Português, para justificar esse ofício, tem de saber ler e escrever bem.
Mas, para a minha sorte ou para o meu azar, Pinheiro Salles (apesar de seu esquerdismo exacerbado) me ensinou a ser enxuto, seco, diretivo na redação. Foi aí que afiei a minha veia prosaica. A minha precisão vocabular. A minha ironia.
Dou a mão à palmatória: em 1996, eu era, de cor e salteado, um boboca a serviço da esquerda (leiam as minhas 10 lições práticas sobre esse assunto a dois textos abaixo). Em momentos de descontração, Pinheiro e eu compusemos duas canções. Letra, dele; música, minha.
Antes, porém, desse episódio, escrevi uma crônica sobre a morte de Renato Russo no dia 11 de outubro daquela primavera funesta de 1996. Fiquei feliz, pois, para um iniciante, o texto correspondeu à expectativa. Hoje, lendo-o, faria muito melhor. Afinal, 10 anos separam-nos daquela homenagem.
A epígrafe continua a mesma. Retrata, com precisão, o sentimento que me abateu, quando soube da morte de meu ídolo musical. Aprendi a tocar violão ouvindo Legião Urbana. Tocando, toscamente, Tempo Perdido. Que pena que a tempestade que chega não é da cor daqueles olhos castanhos. A tempestade é vermelha, e tem nome e sobrenome: Lula e PT.
Renato Russo, tenho plena convicção disso, não se compactuaria com dossiês, mensalões, a exemplo de músicos como Wagner Tiso e Zeca Pagodinho, tão benevolentes que são com o governo corrupto de Luís Inácio Lula da Silva.
Para mim, rememorar ainda é uma incógnita. Sei que é bom viver a vida da melhor maneira. Tenho muita saudade das melodias de Renato Russo. Da minha entrada no Jornalismo. E, melhor do que isso, do meu processo de desidiotização durante esses 10 anos que me separam da morte do líder da Legião e do meu primeiro contato com o mundo porra-louca do Jornalismo.
Por isso, dedico este texto aos meus alunos do 1º ano de Jornalismo da UFG de 2003 (no final deste ano, muitos se formarão), e a todos aqueles jovens jornalistas que não confundem os homófonos incipiente/insipiente como sinônimos. Se bem que são raríssimos esses jovens. Dedico também ao exímio jornalista do Opção, José Maria e Silva, um exemplo de Jornalismo crítico e decente, que me ensinou a duvidar da esquerda. E, por último, ao meu primeiro editor Pinheiro Salles com todos os seus efes e erres. Há braços. Estou indo de volta pra casa...

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