Domingo é bom. Todo mundo sabe. Alguns reclamam porque ele antecede a segunda-feira. Quer dizer: se não houvesse a segunda-feira, reclamariam da terça-feira, e assim sucessivamente.
Gosto do domingo. Há muito o discuto em minhas crônicas. Fiz vários textos sobre ele, cuja essência lembrava a canção do U2 Sunday Bloody Sunday. Muitos morreram no domingo: Princesa Daiana, Mamonas Assassinas, por exemplo. Hoje, vou-lhes mostrar um poema sensualíssimo de Olavo Bilac, o mesmo que se estuda em faculdades de Letras como o poeta objetivo, ourives, seco. Tirem a conclusão vocês próprios se ele é ou não é lírico. Às favas com as faculdades de Letras. Eis Satânia:
"Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se e, mais leve,
Como uma vaga preciosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.
Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia..."
Gosto do domingo. Há muito o discuto em minhas crônicas. Fiz vários textos sobre ele, cuja essência lembrava a canção do U2 Sunday Bloody Sunday. Muitos morreram no domingo: Princesa Daiana, Mamonas Assassinas, por exemplo. Hoje, vou-lhes mostrar um poema sensualíssimo de Olavo Bilac, o mesmo que se estuda em faculdades de Letras como o poeta objetivo, ourives, seco. Tirem a conclusão vocês próprios se ele é ou não é lírico. Às favas com as faculdades de Letras. Eis Satânia:
"Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se e, mais leve,
Como uma vaga preciosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.
Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia..."
2 comentários:
Sempre gostei de Bilac e do Parnasianismo, a propósito. E quando eu abria a boca a defender Alberto de Oliveira ou Vicente de Carvalho (ah, e seu inominável Velho Tema , ótimo poema, soneto perfeito e poema forte, tocante), logo ouvia de alguém: Que horror, isso é arte-pela-arte, não tem sentimentos, não preza a liberdade, não é capaz de representar... E por aí ia. Eu amo parnasianismo. Adoro os olhos que eles tinham, as fotografias que faziam. Fotografia em cores, como disse um crítico modernista. E pérolas como essa, ou como Velho Tema de Vicente de Carvalho, sempre fizeram-me rever e ler com outros olhos a poesia das últimas décadas de mil e oitocentos, assim como os poemas anteiores ao modernismo.
Valeu professor.
Cleiton,
Bilac não tateou com indecisões a forma, ele era rigor maior da nova escola, e, ao contrário de alguns companheiros, tem fluência fantástica na linguagem e na métrica, sensualidade à flor da pele, o poema Satania é exemplo vivo deste poeta ímpar.
Agora... A Academia, eca, entra na técnica, no estilo, no criar propriamente dito, não olha o ‘novo’ do ‘velho’, a Academia não tem que gostar da obra indicada e analisada (gelidamente), mas gostar, claro, da crítica pronta e consolidada - ou o que teriam pra ensinar, ou pra serem?
http://wwwcoisaschulas.blogspot.com/
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