Acordei meio com a pá virada! Decidi jogar bosta no ventilador. Dar nome aos bois. Delatar os miseráveis. Explodir os mensaleiros. Pôr as asinhas de fora. Mandar ao Inferno os petralheiros. Conduzir, com mãos de ferro, a reforma do Código Penal. Enfim: chutar o pau da barraca!
Acordei, também, com o sorriso no rosto. Com as mãos vazias. Com o GRANDE AMOR no peito. Com a dor do defeito. Com os olhos ensanguentados. Despedaçados. Entregues ao sorriso. Com dor de cotovelo. Meio a meio. Mano a mano. Firulas na voz.
Acordei, depois de um sono breve, com gastrite. O TGO alterado. O TGP condenado. O Gama-GT falido. O fígado à míngua. A Lolita enfurecida. O calor já achincalhado. O suor do medo elevado. E as estalactites da caverna.
Acordei pelado. Trepado. Com a .40 à mão. Lambuzado de fêmea. Atortoado pelo cinema. As narinas pegando fogo. A sensação terrível de estar morto. Muita palavra seca na garganta. Se eu resolver, grito em alto e bom som: MORRI. De raiva de mim (sempre de mim!).
Acordei agora há pouco. Escrevi que estava louco. Decidi que morreria. De agonia. De tétano. De cirrose. Mas o álcool me acolhe de um sentimento que me vilipendia. Porém, gosto de tudo. D'Ela (principalmente d'Ela!). Do GRANDE AMOR. Da delícia de tê-la, absorvê-la, digeri-la, acordá-la. Entrar-lhe, por completo, nas entranhas. Nas vergonhas. Nas genitálias.
Acordei para a vida. Para o sono. Para a dor. Acordei, novamente, para a tortura. Para o sofrimento. Para aquilo que vem de dentro. Para o resto que fica de fora. Acordei, outrossim, porque sempre quis ser assim. Impulsivo. Afoito. Atrapalhado. Amado. Odiado. Destemido. Compulsivo. Alcoólatra. Cirrótico. Atrofiado. Esquisito. Adormecido. E, antes de tudo, APAIXONADO.
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