segunda-feira, outubro 01, 2012

CACHORRO TAMBÉM É GENTE!

Meu melhor amigo não é um cachorro (caninamente falando). Mas podia ser. Como se sabe, cachorros não abandonam o dono em razão de mudança de casa. Se for casebre ou mansão, prevalece o amor pelo dono. Gatos, ao contrário, são safados! Se o dono resolve mudar de residência, o problema não é, na visão felina, do gato. E, sim, do dono.
Perdi o meu companheiro neste ano. Era o Scooby-Loo. Tímido. Porém, era mais da rua do que do lar. Aprendeu a sair pelo portão em disparada. Numa dessas, morreu do jeito que imaginei: atropelado (quem sai em disparada, quase sempre, morre atropelado!). Ele morava na casa da minha mãe. Quando me mudei para a minha própria casa, o coitado ficou órfão de mim. Eu, dele. E carros não perdoam cachorros. Matam-nos cruelmente! Sinto muita saudade do Scooby-Loo.
No dia em que foi atropelado, eu estava lendo alguma coisa no meu quarto. De repente, caiu um pedaço de não-sei-quê na minha sala, fez um estrondo terrível. Depois que fiquei sabendo da morte do meu amigo, o horário do estrondo coincidiu com o atropelamento.
Bem que eu podia tê-lo sabido mais. A mãe dele está vivíssima da silva. É sem-vergonha. Sai com qualquer um. Aliás, as cachorras costumam sair com qualquer um. O Scooby-Loo foi criado com a cadela que mora na casa da minha mãe. O nome dela é uma sacanagem que inventei: Bocoa. Não tente entender o nome. Como disse, é apenas sacanagem.
A Bocoa é tímida, tem mágoa (principalmente, se alguém aplicar-lhe algum tipo de vacina ou mesmo resolver dar um banho nela sem consentimento). O Scooby-Loo herdou todas as qualidades da Bocoa. Mas, com o tempo, adquiriu o pior ponto da índole da mãe dele: a promiscuidade da rua. Lembro-me que o Scooby-Loo começou a andar com as cachorras, com os viciados, enfim, com a marginália. Acredito que tenha sido aí que ele conheceu (sabe-se lá) a pedra de craque. O Scooby-Loo, de tão humano, acabou adquirindo a perversidade humana das ruas.
Sempre acreditei que haveria um Céu para os humanos e um Céu para os animais. Para os cachorros, imaginava um Céu só deles. De vez em quando, acho que o Scooby-Loo está lá, azarando a mulherada, digo, a cachorrada. Eita Scooby que era traquino! Malandro. Rueiro. Era gente que só.. Scooby-Loo, perdão por eu não ter escrito isso antes... É que o instinto humano é muito pior do que o dos cachorros.
Scooby-Loo, cachorro também é gente. E você era o meu melhor amigo... Au Au pra você também!

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