Devemos encarar a gramática como um código de ética. Se violado, haverá punições. Por isso, ao lado das Ciências Sociais (descritivas), há o Direito (prescritivo). Ambos se complementam. Na língua, não é diferente. Observem:
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a) Gramática (prescritiva)
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b) Lingüística (descritiva)
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O princípio é o mesmo: o código de ética. Por favor, não confundam alhos com bugalhos. Quando digo ética, refiro-me ao princípio legal de convivência. É bom lembrar que nem tudo que é legal é legítimo.
A gramática normativa estipula valores que, nem sempre, vão ao encontro da realidade da língua. Nem por isso, devemos extingui-la, tampouco ignorá-la. Basta que se observe como nos expressamos aqui na comunidade. Qualquer vacilo gramatical transforma-se em xingamentos, discussões, apedrejamentos.
A Lingüística cumpre o papel de monitora; a gramática, de executora. Como isso funciona:
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a) A par de dados lingüísticos, a Lingüística descreve os usos e evidencia por que motivo determinadas expressões tomam rumos diferentes dos rumos canônicos. Por isso, monitora o uso mediante análise científica.
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b) A gramática executa, a seu modo (ainda que lentamente),as descobertas da Lingüística. O maior exemplo é a gramática do Bechara, de orientação mais descritiva do que prescritiva.
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Claro que não sou louco para dizer que essa harmonia seja evidente. Há muita controvérsia. Muita briga. Mas o que permite haver incoerência na descrição da língua é o embate entre Gramática e Lingüística (do ponto de vista da observação). Embate, diga-se, a propósito, sempre bem-vindo. É por aí. Bração pr´ocês.
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professorcleiton@yahoo.com.br
3 comentários:
Boa paráfrase de Mattoso Câmara no capítulo 1 de "Estrutura da língua portuguesa".
Anônimo: leia isto: "Basta que se observe como nos expressamos aqui na comunidade". O texto sobre ética foi publicado na comunidade "Professores de Português". Lá, deixo claro que parto de Mattoso Camara. Publiquei-o em meu blog por conveniência. Ele é parte de um todo muito explicativo. Aliás, a minha formação lingüística se deve exclusivamente a Mattoso Camara. Seja, sempre, bem-vindo a este blog. Muito odiado, muito amado. É isso. A vida nos reserva momentos bons para a conversa. Há braços.
Olá, Cleiton
Estou em buca do código de ética dos profissionais de letras. O código de ética dos jornalistas, advogados, engenheiros, médicos e outros é facilmente achado na Internet, mas o código de ética dos profissionais de letras...
Você pode me ajudar?
Um forte abraço,
Emilson
Em tempo: gostei muito do seu trabalho.
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